quarta-feira, 17 de abril de 2013

"Quando vierem a Mim, não os afastarei"

III Semana do Tempo Pascal, quarta-feira
Jo 6, 35-40

Hoje, nosso Senhor não está mais fisicamente presente entre nós, como estava há dois mil anos, quando pronunciou as palavras que lemos no Evangelho que a liturgia da Igreja nos propõe para hoje, diante das pessoas que haviam comido o pão por Ele multiplicado.
Sua Presença, hoje, em nosso meio, se dá de outras maneiras: na Igreja, que é Seu Corpo Místico; na pessoa de Seus ministros ordenados, os bispos e os sacerdotes; e, de modo muito particular e especialíssimo, no sacramento da Eucaristia, onde está Jesus realmente presente sob as espécies do Pão e do Vinho consagrados.
Ao vê-lO, assim, oculto, mas real, verdadeira e substancialmente presente, podemos dizer como São João Evangelista: "é o Senhor"! Porque é mesmo Ele, Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor, em Corpo e Sangue, Alma e Divindade.
A quem assim O vê, com os olhos da alma, e O distingue e nEle crê, o Senhor concede a vida eterna. E vaii satisfazendo, já nesta vida - embora sem saciar - a fome e a sede de Deus, de que padece toda pessoa humana a quem o pecado dEle separou.
Nosso Senhor nos quer a todos - "quando vierem [a Mim], não os afastarei". Espera-nos, este voluntário e divino Prisioneiro do Amor, todos os dias, em cada sacrário de cada igreja da terra, pronto a dar-nos o Céu. Basta que Lhe demos todo o nosso coração, sem reservas, em um só ato de amor, humilde, sincero e perseverantemente renovado.
***
Sobre o recente (1996) milagre eucarístico ocorrido em Buenos Aires:

domingo, 31 de março de 2013

"Os dois corriam juntos..."


Ressurreição do Senhor - Domingo de Páscoa
Jo 20, 1-9

Ainda que o "outro discípulo" corra mais rápido, movido pelo amor, ele deve correr com Pedro. Pois, onde está Pedro, aí está a Igreja.
Por isso, mesmo que chegue primeiro, porque corre mais rápido - é movido pelo amor ao Senhor e é jovem e impetuoso - o "outro discípulo" não entra no sepulcro vazio, mas aguarda Pedro e deixa que este entre primeiro. Depois que Pedro - a Igreja - vê, então ele também pode ver e acreditar.
Mesmo Maria Madalena, a primeira a ver o túmulo vazio (e ouvir de anjos a notícia da ressurreição do Senhor, conforme os outros relatos evangélicos), corre para avisar a Pedro, antes de qualquer coisa. É preciso agir com a Igreja e permanecer ma Igreja. A Igreja é que nos testemunha que o Senhor ressuscitou e está vivo!
Mas quem é o "outro discípulo, aquele que Jesus amava"? Sem dúvida, é o apóstolo e evangelista São João, o único a permanecer com o Senhor nos momentos trágicos e tristes de Sua Paixão e Morte; aquele a quem, na cruz, Jesus confiara o cuidado de Maria, Sua Mãe.
Em certo sentido, porém, o "outro discípulo" pode ser cada um de nós, se, tal como João, formos movidos pelo amor e, neste dia "que o Senhor fez para nós", corrermos até o túmulo vazio. Deixemos, porém, que nos fale a voz da Igreja. Ouçamos o que ela nos ensina e creiamos porque a Igreja nos diz para crer.
E a Igreja nos anuncia, hoje, que o Senhor ressuscitou e está vivo. Alegremo-nos, pois, com esta grande notícia, nós, que podemos ser, se o quisermos, "o discípulo que Jesus amava".
E acolhamos Maria, Mãe e figura da Igreja, Senhora do Céu, congratulando-nos com ela pela ressurreição de seu Filho, usando as mesmas palavras com as quais a Igreja, há tantos séculos, saúda a Virgem Santíssima neste Tempo Pascal:

Rainha do Céu, alegrai-vos, aleluia
Pois o Senhor que merecestes trazer em vosso seio, aleluia
Ressuscitou como disse, aleluia
Rogai a Deus por nós, aleluia.

Regina caeli, laetare, alleluia
Quia quem meruisti portare, alleluia
Ressurrexit, sicut dixit, alleluia
Ora pro nobis Deum, alleluia

quinta-feira, 28 de março de 2013

"Amou-os até o fim"


Semana Santa - Quinta-feira
Instituição do sacerdócio e da Eucaristia
Jo 13, 1-15

O que é fazer a mesma coisa que Jesus fez? Facilmente se lê este texto de modo superficial, pensando na dimensão do serviço do sacerdócio ministerial e, mais ainda, na dimensão do serviço que cabe a todos nós, batizados, como um atendimento às necessidades mais imediatas (e, com frequência, exclusivamente materiais) dos irmãos.
Mas, embora esse "fazer o mesmo" abranja também isto, significa ainda, de modo mais profundo, amar os irmãos do mesmo modo que o Senhor nos amou (e ama e amará, por toda a eternidade) a cada um de nós: "tendo amado os Seus, amou-os até o fim". Isto é: amou-os até o mais extremo do amor, amou-os com loucura.
Ele, que é Deus, amou-nos até consumir-Se de amor.
Diante de Deus, que é capaz de amar-nos assim, que justificativas temos para poupar-nos? Como nos poderemos apresentar diante dEle, senão com um amor sem medidas, à semelhança do Seu Amor?

quarta-feira, 20 de março de 2013

"A Verdade vos libertará"


V Semana do Tempo da Quaresma, quarta-feira
Jo 8, 31-42

Permanecer na Palavra do Senhor - ouvi-la, meditá-la, guardá-la no coração e procurar praticá-la - é o que torna alguém verdadeiro discípulo de Jesus. Como Ele mesmo disse em outro lugar, ouvir a Sua Palavra e pô-la em prática, isso é o que demonstra que alguém O segue.
Aqueles que se dispõe a ser discípulos de Jesus - os que permanecem em Sua Palavra - esses chegam ao conhecimento da verdade. Mas que verdade? A verdade sobre Deus, sobre o mundo, sobre o homem e sobre si mesmos. A Verdade que é o próprio Cristo e que não admite relativismos. E que, por isso, conduz à plena liberdade de filhos de Deus, não mais escravos do demônio (o inimigo de Deus) e do pecado, nem sujeitos à morte.
Mas Jesus é muito claro: é preciso escolher entre tornar-se filho de Deus ou permanecer escravo do demônio. Os que são filhos de Deus guardam a Palavra do Senhor, amam-nO e servem-nO em plena liberdade, porque só quem é livre pode amar. Mas os que rejeitam a Deus haverão de se tornar escravos do diabo e do pecado. Porque o homem não é autônomo; ele sempre vai servir a alguém, seja ao diabo ou seja a Deus.
"Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres."

terça-feira, 12 de março de 2013

"QUERES FICAR CURADO?"

IV Semana do Tempo da Quaresma, terça-feira
Jo 5, 1-16

Quando a doença espiritual é tão grande que paralisa a alma, a ponto de impedi-la de buscar a cura, o próprio Deus vem ao seu encontro para curá-la e erguê-la da paralisia. Porque Deus tem piedade de seus filhos e quer vê-los livres dos grilhões do pecado que os acorrentam.
Isso foi o que fez Jesus, nosso Senhor, com o Seu sacrifício redentor: veio ao encontro da humanidade perdida e de cada pessoa humana, cada um de nós, para curar-nos e libertar-nos do demônio, do pecado e da morte.
Mas a cura não ocorre contra a vontade da pessoa, como que por mágica. O Senhor se aproxima da alma doente para livrá-la de seu mal, mas, antes pergunta: "queres ficar curada"? E a pessoa terá toda a liberdade para aceitar ou rejeitar a cura que o Senhor lhe oferece.
Lamentavelmente, algumas pessoas preferem continuar com a alma doente, paralisada, incapaz de andar nos caminhos do Senhor que conduzem ao Seu Reino, nos Céus.
Aos que aceitam a cura, vale a advertência de Jesus: "não tornes a pecar, para que não te aconteça coisa pior". Porque a alma paralisada pode sempre ser curada, mas o pecado leva à morte da alma, ao caminho sem volta do inferno, que é ódio, rejeição e ausência absoluta de Deus, para sempre.
Na cura que Jesus oferece, mas nunca impõe, está a esperança da felicidade plena no Reino de Deus.

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