sábado, 15 de agosto de 2015

SER COMO CRIANÇAS

XIX Semana do Tempo Comum, sábado
Mt 19, 13-15


Simplicidade, humildade, confiança, temor de Deus.
São as características de um coração de criança que verdadeiramente atraem a Deus.
Quem de nós se pode presumir "adulto" diante de Deus? Quem pode ser auto-suficiente em relação a Deus? Quem pode pretender ter autonomia? Como disse o Senhor, quem de nós pode acrescentar um só dia à duração de sua vida? Quem de nós poderá permanecer existindo, se Deus não o sustentar na existência? Quem de nós pode, com propriedade, afirmar que conhece todas as coisas ou que tem domínio absoluto sobre sua vida?
Mas aquele que é consciente que não é mais que o pó da terra - ainda que seja um grão de poeira infinitamente amado por Deus, a ponto de entregar o Filho Unigênito para salvá-lo - carente de salvação, pecador e completamente impotente e dependente de Deus; e que, por isso, deposita em Deus a sua inteira confiança; esse pode agradar a Deus.
Ser como criança é ser pobre em espírito. E desses, disse o Senhor que são felizes, porque deles é o Reino dos Céus.
Já no Antigo Testamento o Senhor Deus deixava claro qual era a atitude que mais lhe agradava: "mas eu olho para este, para o pobrezinho de alma abatida, que treme ao ouvir a minha Palavra" (Is 66,2).
Eis, pois, o segredo para amar e servir a Deus com agrado: simplicidade, humildade, confiança, temor de Deus.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

"O AMOR APAGA UMA MULTIDÃO DE PECADOS"

XIX Semana do Tempo Comum, quinta-feira
Mt 18,21 - 19,1


O Evangelho de hoje, entre outras coisas, nos faz conhecer a realidade do Purgatório, cuja existência é um dogma de fé.
Pois tanto o Céu como o Inferno são realidades definitivas: aqueles que lá estão, no Céu ou no Inferno, lá deverão permanecer por toda a eternidade, para o bem e a felicidade (no caso dos santos no Céu) ou para o mal e a infelicidade (no caso dos condenados no Inferno). Os santos no Céu nunca deixarão de ser santos, não poderão tornar a pecar e permanecerão para sempre na felicidade eterna, contemplando a face de Deus. De modo inverso, os condenados que estão no Inferno tornaram-se, por própria culpa e vontade e de modo irreversível, inimigos de Deus e incapazes de qualquer coisa que não seja o mal; ficarão para sempre longe de Deus e nunca mais sairão do Inferno.
Mas o Senhor diz hoje, quanto ao empregado que mandou entregar aos torturadores, que de suas mãos não se livraria "até que pagasse toda a sua dívida". Trata-se, portanto, de uma realidade transitória.
Eis aí o Purgatório: o lugar daqueles que, embora não condenados, precisam purificar o seu amor a Deus e ao próximo, antes de poderem entrar definitivamente no Reino dos Céus. Porque amam a Deus, mas não sobre todas as coisas e nem com total pureza; e amam ao próximo, mas não como a si mesmos.
Mas o Senhor nos ensina como purificar o nosso amor: perdoando incondicionalmente, como Deus perdoa. Pois a nossa dívida para com o Senhor será sempre impagável (uma vez que infinita) e a dívida de nossos irmãos para conosco será sempre insignificante (uma vez que somos criaturas miseráveis e pecadoras).
Por isso, devemos imitar a Deus na liberalidade de seu perdão: Ele está disposto a apagar os nossos pecados, se perdoarmos de coração às pequenas ofensas de nossos irmãos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

SÚPLICA NOS TORMENTOS DA VIDA

XVIII Semana do Tempo Comum, quarta-feira
Mt 15, 21-28

Duro é, Senhor, para nós, suportar os Teus silêncios...!
Como essa mulher cananeia, Senhor nosso, estamos aqui, diante da Tua Presença - Tu, que jamais estás ausente - para expor os nossos tormentos.
Nada dizer, Senhor? Tu, que és Deus de infinita Misericórdia, não Te vais compadecer de nós, Tuas pequenas e pobres criaturas, que somos pouco mais do que pó e cinza?
Entretanto, não iremos embora, não Te deixaremos até que nos atendas e nos concedas um alívio. Assim como a mulher estrangeira, não desistiremos de Ti e insistiremos Contigo até que nos ouças, pois em Ti depositamos toda a nossa esperança e confiança.
Não merecemos que nos trates bem. Nossos muitos pecados não nos fazem merecer, da Tua parte, outra coisa que o desprezo. Tu, porém, és bom. E é por isso, por Tua infinita bondade, que não nos tratas conforme merecem as nossas culpas e a nossa miséria.
Jesus, Senhor nosso, Rei de nossas vidas, tem piedade de nós! Ouve-nos, por Tua bondade. Nós confiamos em Ti. Não nos afastaremos de Tua Presença e clamaremos continuamente ao Teu Coração, até que volvas sobre nós o Teu olhar e derrames sobre nós a Tua Misericórdia.
Senhor Deus misericordioso, clemente e amante dos homens, tem piedade de nós!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O VERDADEIRO ALIMENTO DE NOSSAS ALMAS

XVIII Semana do Tempo Comum, segunda-feira
Mt 14, 13-21

Só da Igreja podemos receber o verdadeiro alimento de nossas almas, Jesus Cristo vivo na Eucaristia. Pois o Senhor não alimenta a multidão, senão por meio dos discípulos. Só a eles cabe distribuir ao povo o pão multiplicado por Jesus.
O mundo pode fornecer o alimento que mata a fome do corpo, mas só do Senhor podemos receber, por meio de Sua Igreja, a comida que sacia a alma e sustenta para a eternidade. Por isso é que Jesus manda aos discípulos alimentarem a multidão e não permite que a dispersem para irem aos povoados buscar o que comer.
***
Do aparente deserto, isto é, dos poucos recursos e possibilidades humanas, o Senhor faz muito, se colocarmos tudo à Sua disposição, com generosidade e sem receios ou reservas. Assim, de cinco pães e dois peixes, Ele alimentou a todos os milhares que foram escutá-lO.
Do mesmo modo, de nossa miséria Deus fará grandes milagres, se a Ele entregarmos tudo, sem reservar nada para nós e com o coração alegre.
***
O texto do Evangelho é claro: o Senhor entrega a Eucaristia a Seus discípulos para que alimentem o povo. Só aos ministros ordenados, os sacerdotes - padres e bispos - cabe alimentar o Povo de Deus com o Pão da Vida que é o Cristo Eucarístico.
Aos leigos, no entanto, na medida de suas possibilidades e de sua criatividade, cabe promover o sustento e a melhoria das condições dos irmãos necessitados, de modo que nada lhes falte 
Assim, na Igreja, a cada um o que lhe é determinado por Deus, em ordem à caridade.

sábado, 1 de agosto de 2015

QUAL É O TAMANHO DO NOSSO AMOR POR JESUS?

XVII Semana do Tempo Comum, sábado
Memória de Santo Afonso de Ligório, bispo e doutor da Igreja
Mt 14, 1-12

Assim é a relação do mundo com os discípulos do Senhor: quer livrar-se deles, calando-os ou matando-os, porque são incômodos por causa de sua fé e de seu comportamento. Como o Rei Herodes queria livrar-se de São João Batista e acabou por mandar matá-lo, depois de tê-lo encarcerado, usando como pretexto a palavra empenhada em um juramento iníquo.
Como foi naquele tempo, nunca deixou de ser, durante toda a história da Igreja, desde o começo até os dias de hoje, por mais de dois mil anos.
Pois o mundo continua querendo livrar-se dos discípulos de Jesus. Nunca, em momento algum da história, tantos cristãos foram perseguidos e mortos como hoje, pelo simples fato de serem cristãos. A cada cinco minutos, um cristão é morto, vítima de perseguição religiosa.
No entanto, é melhor que nos matem. Pois quando o mundo, ao invés de nos matar, consegue silenciar-nos, fazer-nos calar, é porque triunfou sobre nós, levando-nos a adotar uma mentalidade mundana e relativista. O discípulo de Cristo que se deixa derrotar pela mentalidade do mundo deixa de ser discípulo porque já não consegue tomar a cada dia a sua cruz e seguir o Senhor, como Ele mesmo indica que é necessário para se colocar em Seu seguimento.
Se sucumbimos ao que o Papa Bento XVI denunciava como a "ditadura do relativismo" (aquiaquiaqui e, especialmente, aqui) e contemporizamos com aquilo que o mundo nos apresenta como bom, então estamos deixando de ser cristãos.
São João Batista foi até a morte por amor e fidelidade ao seu Senhor, ao nosso Senhor. E nós, até onde estamos dispostos a ir? Qual é o limite de nossa fidelidade? Qual é o tamanho do nosso amor por Jesus?


quarta-feira, 29 de julho de 2015

MARTA, A FÉ QUE VAI AO ENCONTRO DO SENHOR

XVII Semana do Tempo Comum, quarta-feira
Memória de Santa Marta
Jo 11, 19-27

Marta vai ao encontro de Jesus e reclama dEle a morte de Lázaro, seu irmão e, como ela, amigo do Senhor. É como se Lhe dissesse: "por que não vieste antes para curá-lo e salvá-lo da morte?"
É grande a fé de Marta. A sua reclamação demonstra a confiança e a certeza que tinha no poder de Jesus, que ela certamente já testemunhara muitas vezes.
Agora, que Lázaro está morto, ao invés de permanecer inerte em seu luto (como, talvez, tenha feito sua irmã Maria, que ficou em casa) Marta vai mais longe em sua fé e declara abertamente ao Senhor a sua confiança em que Jesus pode ressuscitar os mortos pelo poder de Deus. Ao dizer-Lhe: "eu sei que o que pedires a Deus, Ele to concederá", ela, na verdade, está pedindo a Jesus que traga seu irmão Lázaro de volta à vida.
Antes, porém, de atendê-la, Jesus quer aperfeiçoar a sua fé, fazendo Marta compreender quem, de fato, Ele é. Segue-se, então, a belíssima profissão de fé de Marta: "eu creio firmemente que Tu és o Messias, o Filho de Deus que devia vir ao mundo".
Marta dá-nos o exemplo de uma fé ativa, que vai ao encontro do Senhor, que não se envergonha de mostrar-Lhe a sua dor e de expor suas necessidades e que, por isso mesmo, move o Coração de Deus.
A fé de Marta é grande e forte. Mesmo sem compreender, permanece firme no Senhor, deixa-se purificar por Ele e cresce na fé até poder ver Jesus com os olhos do espírito, para além das circunstâncias humanas.
Interceda por nós, hoje, Santa Marta, para que também nós, em meio às provações da vida, saibamos correr, confiantes, ao encontro do Senhor e nos deixarmos, com amor, purificar por Ele.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

PEDIR SINAIS - "NENHUM SINAL LHE SERÁ DADO"

XVI Semana do Tempo Comum, segunda-feira
Mt 12,38-42
O grande sinal de Jesus, da veracidade de Suas palavras e da autenticidade de Sua Pessoa - Ele é o enviado do Pai, o Messias prometido, o Deus-conosco - é a Sua ressurreição, de que a Igreja dá testemunho fiel no correr dos séculos.
Cremos no testemunho da Igreja, que nos anuncia que o Senhor ressuscitou e está vivo? Cremos e, por isso, nos convertemos? Mudamos o coração e a vida para cumprir a Vontade de Deus a nosso respeito?
Aos fariseus que Lhe pedem um sinal, Jesus chama "geração má e adúltera" e não lhes dá nenhum sinal, porque não querem crer em Sua Palavra e converter os corações para Deus. Se estivessem dispostos à conversão, não pediriam a Jesus mais sinais do que todas as curas e milagres que já O tinham visto fazer até ali. O Senhor conhece o orgulho e maldade de seus corações e é por isso que se recusa a satisfazer-lhes o pedido.
Em seguida, Jesus os faz sair humilhados e confundidos, porque os compara a estrangeiros pagãos e pecadores que souberam agir com verdadeira humildade e buscar com sinceridade a sabedoria de Deus. Eles, membros do Povo escolhido, foram considerados inferiores aos pagãos...
Aproveitemos o péssimo exemplo destes fariseus para examinarmos com que atitude nos aproximamos do Senhor e se, de fato, sabemos submeter-Lhe nossa vida.
Que a Virgem Santíssima, humilde serva do Senhor, nos guie e ampare nessa jornada interior e nos ajude a crer sempre mais no testemunho da Igreja.

sábado, 18 de julho de 2015

"ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA"

XV Semana do Tempo Comum, sábado
Mt 12, 14-21
O salmo que a liturgia hoje nos propõe - Sl 135(136) - repete, quase que incessantemente, como para fazer fixar de uma vez por todas na memória, que "o Senhor é bom, eterno é Seu Amor" e o refrão proposto pela Igreja insiste: "eterna é a sua misericórdia".
Porque o Senhor é bom, porque eterno é o Seu Amor e a Sua Misericórdia para conosco dura para sempre, devemos dar-Lhe graças continuamente, ensina-nos e adverte-nos o salmo.
Do mesmo modo, a leitura do Livro do Êxodo - Ex 12, 37-42 - recorda a noite em que o Senhor libertou Israel do jugo do Egito, noite cuja memória deveria ser celebrada de geração em geração e para todo o sempre, daquela noite em diante, pelos filhos de Israel, para recordar a noite na qual o Senhor se lembrou da promessa feita à Abraão e usou de misericórdia para com o Seu Povo eleito.
Também nós, católicos, fazemos memória, não dessa noite que é uma simples figura, mas da verdadeira noite da nossa libertação, aquela em que o verdadeiro Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, Senhor nosso, foi imolado, libertando-nos, assim, do jugo do demônio, do pecado e da morte. Em Cristo Jesus, Deus usou de misericórdia para conosco.
O Evangelho de hoje mostra, pois, em Cristo, o Servo de Iahweh anunciado pelo profeta Isaías. Ele é aquele que anuncia a todos o direito, isto é, em que consiste servir a Deus e dar a Ele o que Lhe pertence, o Reinado sobre nossas vidas.
Não quebrar o caniço rachado e não apagar o pavio que ainda fumega são expressões que indicam a bondade do Senhor, que derrama sobre todos a Sua Misericórdia, estendendo com generosidade e paciência todas as possíveis oportunidades de conversão, a fim de que todos sejam salvos.
Em Jesus, nosso Senhor, podemos colocar nossa esperança, se dispusermos o coração para retribuir-Lhe o Seu Amor, Ele que usa de paciência para conosco e quer dar-nos o Céu.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

"CUIDADO COM OS HOMENS"

XIV Semana do Tempo Comum, sexta-feira
Mt 10, 16-23

O mundo nos amará? Não. O mundo nos entregará à morte. As palavras do Senhor a esse respeito são claras: é preciso dar testemunho dEle diante das nações, esta é a ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas não esperemos que o mundo nos aplauda por isso. Pelo contrário, como disse Jesus, seremos odiados por todos por causa do Seu Nome.
A chave, porém, é a perseverança que o Senhor exige de nós. Não é fácil permanecer fiel e ir contra a mentalidade mundana. No entanto, temos a promessa de Jesus: "quem perseverar até o fim, esse será salvo".
A nós, a simplicidade e a prudência são necessárias, para não cairmos nas ciladas deste mundo, armadas com sutileza e aparentando serem coisas boas ou, ao menos, inofensivas. Precisamos permanecer firmes, buscando o conhecimento de Deus e pedindo ao Espírito Santo a luz da graça, para que saibamos discernir o que é de Deus e o que não é, apesar das aparências.
Não sejamos ingênuos e levemos a sério, especialmente nestes tempos, aquilo de que nos alerta o Senhor: "eis que vos envio COMO OVELHAS NO MEIO DE LOBOS".
Se soubermos ver com os olhos de Deus os acontecimentos recentes no Brasil e no mundo compreenderemos o motivo do alerta de Nosso Senhor: "CUIDADO COM OS HOMENS".

segunda-feira, 6 de julho de 2015

FÉ PROFUNDA E DELICADEZA DE CORAÇÃO

XIV Semana do Tempo Comum, segunda-feira
Mt 9, 18-26

O chefe (da sinagoga) inclina-se profundamente diante de Jesus e Lhe pede que devolva a vida à sua filha impondo-lhe a mão. Ele crê no senhorio de Jesus e reconhece publicamente o Seu poder, ao inclinar-se e pedir-Lhe que traga a menina de volta à vida com o mesmo gesto com o qual Deus havia criado o homem, segundo a crença rabínica.
A mulher doente há tantos anos também crê. Mas sabe que não deve tocar em Jesus, para não torná-lO impuro perante a Lei dada por Moisés (tendo um fluxo de sangue, era impura e contaminava de impureza a todos que tocasse). Por isso, toma o cuidado de tocar apenas a barra do manto do Senhor.
***
Dois corações cheios de fé profunda. Duas pessoas diferentes, mas que demonstram igualmente uma grande delicadeza para com o Senhor. Apesar de seu grande sofrimento, nada exigem de Jesus. Pedem, apenas, com humildade, por palavras e por gestos. E esperam dEle que tenha compaixão de suas dores e misérias.
***
Aprendamos, hoje, destes dois personagens que São Marcos nos apresenta. O que eles fizeram ficou registrado para que saibamos também nós comportarmo-nos assim diante de Nosso Senhor.
Ofereçamos a Jesus, que está sempre à nossa espera em cada igreja, em cada sacrário, um pouco de ternura e delicadeza de coração.
Apresentemos a Ele as nossas necessidades, com muita humildade, sabendo que Jesus pode tudo e sabe tudo, portanto sabe também o que é melhor para nós. Reconhecendo que não somos merecedores. E Jesus saberá compadecer-Se também de nós...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

SEGUIR JESUS SEM IMPOR CONDIÇÕES

XIII Semana do Tempo Comum, segunda-feira
Mt 8,18-22


O seguimento de Cristo exige a desacomodação constante. Jesus está cercado pela multidão e, por causa dessa popularidade, poderia começar a construir um caminho de glórias humanas e, quem sabe, até mesmo de ascensão ao poder temporal.
Ao invés disso, manda que os discípulos passem com Ele para a outra margem do lago, afastando-os, assim, da multidão, para que compreendessem que não deviam levar em consideração as glórias humanas e nem dar-lhes importância.
Jesus não oferece aos Seus discípulos uma vida fácil e cômoda; pelo contrário, promete-lhes um trabalho sem descanso ("o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça") e exige deles uma dedicação total ("deixa que os mortos sepultem seus mortos").
O Senhor não poderia ser mais claro quanto ao que espera todo aquele que deseja segui-lO. Pouco antes havia falado em perseguição e morte como as "recompensas" deste mundo aos que se tornam Seus discípulos. Maior ainda, porém, é a recompensa de Jesus: a vida eterna, a felicidade sem fim e perfeita, a glória do Céu, a participação no Seu Reino.
Sabendo o que nos espera neste mundo - pois o Senhor não engana ninguém e tem os braços abertos para todo aquele que estiver disposto a segui-lO até a cruz - façamos a escolha certa.

"Eis que hoje ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição (...). Escolhe, pois, a vida (...), amando o Senhor teu Deus e obedecendo à Sua voz e permanecendo unido a Ele. (...)"
(Dt 30, 19-20)

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A PURIFICAÇÃO DO OLHAR - "O OLHO É A LÂMPADA DO CORPO"

XI Semana do Tempo Comum, sexta-feira
Mt 6, 19-23


Diz o Senhor que "o olho é a lâmpada do corpo". É, portanto, o nosso olhar sobre as coisas, o modo como vemos a realidade, tudo quanto existe, que vai determinar se estamos na luz de Cristo ou nas trevas, longe de Deus.
Quando nos deixamos iluminar por Cristo e procuramos ver as coisas segundo Deus, o nosso olhar sobre a realidade vai se purificando e, aos  poucos, podemos enxergar melhor, porque nos deixamos curar pelo Senhor, como o cego a quem Jesus restituiu a visão aos poucos e não toda de uma vez.
Enxergar melhor, ter o olhar purificado, ter o olho sadio - tudo isso significa aprender a ver e compreender as coisas como Deus as vê e compreende. Ou seja, trocar o ponto de vista e a mentalidade mundanos por um ponto de vista e uma mentalidade conformes a Deus. Assim, aprendemos a conhecer a Vontade de Deus a nosso respeito e vamos aprendendo a querer o que Deus quer e a fazer o que Deus quer. Assim nos tornamos discípulos.
Quem não se deixa iluminar pelo Senhor e ter o seu olhar curado e purificado, esse vai sendo dominado pela cegueira do mundo e fecha-se em trevas cada vez mais profundas, até rejeitar completamente a Luz do Senhor que lhe é oferecida e proposta.
Peçamos, hoje, ao Pai, por intercessão da Santíssima Virgem Maria, que façamos de Jesus Cristo o grande e único tesouro do nosso coração, para que a Sua Luz cure e purifique o nosso olhar. Iluminados por Ele, possamos sempre mais conhecer, querer e efetivamente cumprir a Sua Vontade santíssima.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

DIANTE DE DEUS OU DIANTE DOS HOMENS?

XI Semana do Tempo Comum, quarta-feira
Mt 6, 1-6.16-18

Nosso Senhor coloca em questão, para nós, hoje, duas atitudes opostas: a atitude daqueles que realizam suas obras (oração, jejum, esmola) diante dos homens "só para serem vistos por eles" e a atitude daqueles que realizam as mesmas obras diante de Deus, "no segredo" de seu quarto (ou seja, no segredo de seu coração).
A primeira atitude traz em si a recompensa das obras realizadas diante dos homens: já foram vistos, já receberam os aplausos do mundo, "já receberam a sua recompensa". Para a segunda atitude, há uma reserva de recompensa, pois o Senhor diz apenas que "o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa", sem dizer qual é e nem quando será dada (mas, se nos lembrarmos de outras passagens, podemos compreender que a recompensa de que fala Jesus é o ter parte no Reino dos Céus e que será dada quando partirmos desta vida para a eternidade).
No fundo, trata-se de fazer uma escolha entre uma e outra atitude. Trata-se de escolher a quem se vai amar mais: a Deus ou a si mesmo. E de escolher que glória se vai preferir: a glória do Reino dos Céus ou a glória deste mundo.
Aquele que ama mais a si mesmo, prefere a glória deste mundo, isto é, o reconhecimento das outras pessoas, a fama (mesmo que restrita a um pequeno círculo de pessoas), o prestígio mundano.
Pois quem faz esta escolha não crê, de fato, em Deus. Para ele, Deus não está visível, não é concreto, é como se não existisse. Como poderia existir algo maior e mais importante do que esta vida e este mundo, pergunta-se ele? Como pode Deus ser todo-poderoso se não é capaz nem mesmo de frear os desatinos deste mundo? E, assim, este homem torna-se cada vez mais mundano, cada vez mais terrestre, cada vez menos capaz de colocar-se ou compreender-se sob o olhar de Deus, cada vez mais indiferente ao amor de seu Criador e Redentor.
Quem ama mais a Deus do que a si mesmo sabe, pelo contrário, que o Senhor o vê constantemente e conhece todos os seus atos e as profundezas de seu coração. Por isso prefere ir-se ocultando aos olhos deste mundo, para realizar suas ações somente em Deus e diante de Deus, para só a Ele agradar, preferindo antes glorificar a Deus do que receber a glória vã deste mundo que passa - e passa muito rapidamente.
"Onde está o teu tesouro, ali está o teu coração", disse o Senhor em outro lugar. Que o nosso tesouro único seja Ele mesmo, Jesus Cristo, nosso Senhor, para que nossos corações estejam com Ele, no alto, em Seu Reino, nos Céus.
Assim se fará verdade o que respondemos a cada Missa:
- SURSUM CORDA (corações ao alto)!
- HABEMUS AD DOMINUM (já os temos no Senhor - ou: o nosso coração está em Deus)!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

OS MILAGRES E A PROVIDÊNCIA DIVINA

X Semana do Tempo Comum, quinta-feira
Memória de São Barnabé, apóstolo
Mt 10, 7-13


Notemos que o Senhor, neste Evangelho, coloca as coisas em uma hierarquia: em primeiro lugar, o anúncio da proximidade do Reino dos Céus; em segundo lugar, os sinais que devem acompanhar este anúncio e que lhe são subordinados.
Porque os sinais e milagres são concedidos por Deus para uma única e exclusiva finalidade: que os homens, pelos sinais que veem fazer o pregador, pela graça divina, creiam em seu anúncio - "o Reino dos Céus está próximo" - e creiam, sobretudo, no Senhor que envia o pregador e opera os sinais por seu intermédio.
Deus não opera sinais, prodígios e milagres para resolver nossos problemas terrenos, como por um passe de mágica, mas para que creiamos em Seu Nome e em Sua Palavra. A fé é mais importante, porque é ela que conduz à salvação.
Nosso Senhor sabe o que é melhor para nós. E conduz as nossas vidas, em Sua Providência e na medida em que livremente nos deixamos conduzir por Ele, tendo em vista a nossa salvação eterna. Portanto, confiemos e sejamos perseverantes na fé, ainda que não vejamos sinais e prodígios. Coloquemos totalmente nas mãos de Deus as nossas vidas e sejamos agradecidos por qualquer coisa que Ele nos permitir em Sua infinita Misericórdia.
Se formos fieis, principalmente nas horas amargas, um dia, no Céu, compreenderemos tudo e saberemos por que motivos nosso Deus e Senhor nos conduziu ao Seu Reino também mediante o sofrimento.
E ainda maior será a nossa alegria e o imenso júbilo com que cantaremos os louvores do Senhor, por todo o sempre.

terça-feira, 9 de junho de 2015

QUERER O CÉU E NÃO SE CONTENTAR COM MENOS

X Semana do Tempo Comum, terça-feira
Memória de São José de Anchieta, S.J., apóstolo do Brasil
Mt 5, 13-16

Que o discípulo de Cristo deve ser luz do mundo e sal da terra, é a reflexão comum. Já não acontece o mesmo com a reflexão sobre o sal que perde o sabor e sobre a luz que se esconde.
Quando é que esse mesmo discípulo de Cristo torna-se sal sem sabor (insosso) e sem utilidade? Quando é que ele mesmo, o discípulo, esconde a luz que nele se reflete e que deve brilhar para todos?
Talvez, recordando a veemência com que o Papa Bento XVI condenava o relativismo, quando o discípulo de Cristo se deixa contaminar por este mal tão grave de nossos dias, esquecendo-se que Jesus Cristo é a Verdade e que Suas palavras e os Mandamentos da Lei de Deus, cuja validade e perenidade Ele reafirmou, não estão submetidos às circunstâncias e às conveniências humanas e não mudam conforme o tempo, a sociedade e os costumes que vêm e vão.
Hoje, mais do que nunca, se queremos ser sal da terra e luz do mundo como deve ser o verdadeiro discípulo de Cristo - sal com sabor e luz que ilumina porque não se esconde - precisamos ser fieis ao que disse o Senhor, à doutrina que Ele confiou à Igreja por meio dos apóstolos e de seus sucessores, até hoje e até o fim dos tempos.
Precisamos reafirmar, por exemplo, que nem "toda forma de amor vale a pena" (para citar uma canção popular antiga) e que nem tudo o que se entende por amor, hoje, realmente é amor - muitas vezes não passa de sentimentalismo, superficial e volúvel.
Devemos também voltar a valorizar o culto sagrado, respeitando a Sagrada Liturgia e suas normas, para prestar culto a Deus e adorá-lO da forma como Ele quer ser adorado, não do jeito que "achamos" mais "bonito" ou mais "criativo".
Faz-se urgente que a maior ambição de cada discípulo de Cristo seja amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração, com todas as forças, para ganhar o Céu, pois um discípulo de Cristo digno deste nome não deseja menos que a santidade e nem se contenta com "poder, pelo menos, ir para o Purgatório" quando deixar esta vida.
Não é pouco o que o Senhor nos pede. Deus, de fato, espera muito de nós. Como disse Jesus a Santa Catarina de Sena: "Eu não te amei de brincadeira".
Se o Senhor leva tão a sério o Seu amor por nós, míseras criaturas, como haveremos de retribuir-Lhe?


quinta-feira, 4 de junho de 2015

TORNAR-NOS AGRADECIDOS PELO DOM DA EUCARISTIA

Solenidade de Corpus Christi
Mc 14,12-16.22-26


A Eucaristia é alimentomemorial e sacrifício.
Porque "não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura daquela que está por vir" (Hb 13, 14) e porque "Cristo veio como sumo sacerdote de bens futuros" (Hb 9, 11), precisamos deste alimento da alma, para não desfalecermos no caminho.
Em meio às provações desta vida, que seria de nós se estivéssemos sozinhos? Mas o Senhor, Ele mesmo, faz-Se Pão para  jornada desta vida, que deve terminar no Reino dos Céus.
E porque é memorial e sacrifício, ao participarmos da celebração eucarística (Missa), ela não apenas nos recorda os acontecimentos da nossa salvação, mas torna-os verdadeiramente presentes, de tal modo que podemos, de fato e não apenas ritualmente, participar e nos deixamos inserir no único sacrifício de Cristo na cruz, oferecido por nós, para a nossa salvação, uma vez por todas.
Se compreendêssemos a grandeza da Eucaristia, daquilo que nos é concedido participar... Talvez morrêssemos de amor, talvez aprendêssemos a nos arrepender real e profundamente de nossos pecados, talvez nos tornássemos verdadeiramente agradecidos a Deus por tão imenso dom de Seu Amor misericordioso, como o é de modo único a Eucaristia.
Louvado seja o Senhor, nosso Deus, que, para sustentar e enriquecer a nós, Suas pequenas e miseráveis criaturas, rebaixa-Se a tomar as aparências do pão e do vinho!
Ele, que o universo inteiro não pode conter, faz de nossas almas a Sua morada...!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

ESTAMOS FAZENDO A VINHA DE NOSSA VIDA DAR FRUTOS PARA DEUS?

IX Semana do Tempo Comum, segunda-feira
Memória de São Justino Mártir
Mc 12, 1-12


Para cada um de nós, a vinha que nos foi arrendada para cultivarmos e produzirmos fruto é a nossa própria vida.
Não podemos simplesmente esquecer ou ignorar, como fizeram os agricultores da parábola, que a vida que temos neste mundo nos foi dada por Deus. Não é nossa, não nos pertence, não podemos fazer com ela o que bem entendemos.
O Senhor nos criou do nada, deu-nos o ser e a existência, deu-nos a vida, enfim, para que possamos conhecê-lO, amá-lO e servi-lO e assim ganharmos a Vida eterna e perfeitamente feliz, com Deus, em Seu Reino.
Na primeira leitura (Tb 1,3;2,1-8), vemos Tobit, que arrisca sua vida e sua liberdade para prestar um serviço de caridade e fazer uma grande obra de misericórdia: enterrar os mortos.
São Justino Mártir, cuja memória hoje celebramos, preferiu morrer a abjurar da fé, sacrificando aos deuses (ídolos) romanos.
Na vinha de suas vidas, deram os frutos que Deus esperava deles. Hoje são exemplo para nós.
E nós, quando o Senhor vier buscar o que é Seu de direito, os frutos da vinha de nossa vida, que Ele nos deu para cultivarmos, que faremos? Vamos rejeitá-lO, como os agricultores da parábola? Ou Lhe daremos os frutos de nosso amor, em retribuição ao amor infinito que Deus tem por nós?
Estamos fazendo a vinha de nossa vida dar frutos para Deus?

sábado, 30 de maio de 2015

COMO ESTÁ O NOSSO CORAÇÃO, QUANDO NOS APROXIMAMOS DE JESUS?

VIII Semana do Tempo Comum, sábado
Mc 11, 27-33


Quando as autoridades judaicas daquele tempo - os sumo sacerdotes, os mestres da lei e os anciãos - se aproximam de Jesus para perguntar-Lhe com que autoridade Ele expulsava os vendedores e os cambistas do pátio do Templo destinado à oração, para que fossem exercer suas atividades do lado de fora, já estavam decididos interiormente a livrar-se de Jesus. Só não haviam ainda dado um jeito de matá-lO porque tinham medo do povo que escutava e seguia o Senhor.
Portanto - e Jesus sabia disso - não vinham a Ele para se converterem, se Ele respondesse que era o Messias há tanto tempo prometido e esperado em Israel. E é justamente por isso que não responde diretamente, mas faz a pergunta a respeito de João Batista, para dar-lhe uma nova chance de serem sinceros e humildes e entrarem em um caminho de conversão.
Movidos pelo interesse, pela soberba de seus corações, as autoridades dos judeus respondem a Jesus mentindo: "não sabemos". E o Senhor, então, dá-lhes as costas, recusando-Se a responder-lhes, porque "Deus resiste aos soberbos, mas dá Sua graça aos humildes" (cf. IPd 5,5).
Examinemos, pois, hoje o nosso coração para vermos se não estamos agindo, diante de Deus, como esses orgulhosos, interesseiros e hipócritas.
Devemos procurar o Senhor com desejo sincero de conversão, com humildade e simplicidade de coração, sabendo que, para renunciar ao pecado, sempre será necessário sofrer um pouco. Sempre nos haverá de custar abandonar os nossos interesses para cumprir a Vontade de Deus.
A primeira leitura deste sábado (Eclo 51,17-27) sintetiza bem isso quando narra a busca do homem pela Sabedoria divina, dizendo: "Levantei minhas mãos para o alto e me arrependi por tê-la ignorado. Para ela [a Sabedoria] orientei a minha alma e na minha PURIFICAÇÃO a encontrei".

sexta-feira, 29 de maio de 2015

QUANDO JESUS PEDIR, QUE FRUTOS TEREMOS PARA LHE DAR?

VIII Semana do Tempo Comum, sexta-feira
Mc 11,11-26

Jesus teve fome e, apesar de não ser tempo de figos, amaldiçoou a figueira que não Lhe deu frutos com que saciar-Se. E a figueira secou, porque não podia dar frutos fora do tempo, contra a sua natureza.
Nós, porém, sempre podemos dar frutos, os frutos de fé, de amor e de virtude que o Senhor deseja e espera de nós.
Quando, pois, o Senhor nos chamar desta vida, não sejamos como esta figueira, cheia de folhas, cheia de uma promessa de frutos que não se realizou quando o seu Deus e Senhor quis  e pediu. Se não dermos frutos, secaremos tal como a figueira. E galhos secos, como diz Jesus em outra passagem, devem ser lançados ao fogo...
***
O Senhor também quer ensinar que Deus sempre atende a oração dos Seus, quando Lhe pedem com fé os bens - espirituais e materiais - de que necessitam e que estão em conformidade com a Sua Vontade santíssima.
Mas não será atendido aquele que se recusa ao perdão. Pois Deus, que é a Suma Bondade, perdoa-nos sempre, a nós, que somos pecadores, todas as vezes em que, pelo sacramento da Confissão, arrependidos, pedimos perdão.
Por isso, se quisermos que Deus nos escute e atenda em nossas orações, devemos também nós perdoar aos nossos irmãos, pois não somos melhores do que aqueles que nos ofendem e nos desejam e fazem o mal.
Para dar frutos, devemos nos esforçar por tornar-nos, o mais possível, semelhantes a Deus, na bondade e no perdão. Assim saciaremos a fome de Jesus, com frutos de santidade. Pois a "fome" do Senhor é de almas santas.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

"NO REINO DOS CÉUS, REINAR É SERVIR"

VIII Semana do Tempo Comum, quarta-feira
Mc 10, 32-45

"Jesus ia na frente"
O Senhor caminha para a Paixão e a Morte. E sabe disso. Sabe que morrerá (e ressuscitará) para salvar os homens, libertando-os do demônio, do pecado e da morte. Por isso, caminha com firmeza e decisão para Jerusalém.
Os discípulos, porém, estão confusos e com medo. Jesus já lhes anunciara o que haveriam de fazer com Ele e os discípulos estão conscientes de que os judeus procuram matar o Mestre. Por isso, não compreendem porque Jesus caminha tão resolutamente para a morte, quando poderia facilmente evitá-la, deixando de ir para Jerusalém e escondendo-se dos judeus. Menos ainda entendem, quando Ele lhes fala em ressurreição...
Nós, homens e mulheres de todos os tempos que nos dispusemos a seguir a Cristo, parecemo-nos com estes discípulos. Temos medo, hesitamos. Não pensamos conforme Deus, mas conforme o mundo. Perdemos a confiança quando as provações e dificuldades da vida nos visitam. É-nos sempre difícil viver os momentos de cruz, abraçar com amor a cruz de cada dia, mesmo sabendo que Deus não nos prova para além de nossas forças. E facilmente perdemos de vista a perspectiva da ressurreição que nos é prometida, se permanecemos fieis a Nosso Senhor.

"Vós não sabeis o que pedis."
Assim como Tiago e João, somos nós: queremos a glória, mas não a cruz. No entanto, não poderá chegar à glória com Cristo, no Reino dos Céus, quem não abraçar primeiro a cruz, com Ele.
Para ressuscitar, é preciso antes morrer. Não teria havido o Domingo de Páscoa se, antes, não tivesse ocorrido a Sexta-feira da Paixão.

"O Filho do Homem não veio para ser servido..."
Assim como nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo, "não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos", do mesmo modo devemos nós viver para servir.
"No Reino dos Céus, reinar é servir", dizia o grande cientista (e católico convertido já na maturidade) Blaise Pascal. 
Peçamos, pois, hoje, ao Senhor que nos ajude a não desejar a glória sem, antes, estarmos dispostos a abraçar a cruz com amor; que não tenhamos medo de ser Seus discípulos e de segui-lO para a "Jerusalém" das nossas vidas e de cada dia; que não tenhamos medo de abrir-Lhe, de escancarar-Lhe os nossos corações, como nos exortava o Papa São João Paulo II no início de seu pontificado, em 1978; que aprendamos, por amor de Cristo e a Seu exemplo, a dedicar as nossas vidas ao serviço da salvação dos irmãos.
E que a Virgem Santíssima, Mãe das Dores e da Misericórdia, interceda sempre por nós.

terça-feira, 26 de maio de 2015

"DEIXAMOS TUDO E TE SEGUIMOS"

VIII Semana do Tempo Comum, terça-feira
Memória de São Filipe Néri, presbítero, fundador do Oratório
Mc 10, 28-31

Mas será que, quanto a cada um de nós, isso é mesmo verdade? Será que deixamos TUDO, mesmo, para seguir a Jesus? Será que deixamos gostos, caprichos, pecados "de estimação" (aqueles aos quais estamos apegados), vaidades, futilidades, preguiça, orgulho, falta de perdão, gula? Será que deixamos MESMO para trás todas essas coisas (e outras mais) para seguir a Jesus, carregando com amor a cruz de cada dia?
"Não te apresentes a Deus de mãos vazias", diz-nos hoje o livro do Eclesiástico (Eclo 35,6).
Aprendamos, pois, a oferecer a cada dia ao Senhor o sacrifício de tudo aquilo que, em cada um de nós, não corresponde à Vontade de Deus. Então poderemos ter certeza que deixamos tudo para segui-lO e que, um dia, receberemos dEle a recompensa prometida: cem vezes mais e a vida eterna!

***

SÃO FILIPE NÉRI


Neste dia recordamos a santidade de vida do Santo da Alegria, que encantou a Igreja com seu jeito criativo e excêntrico de viver o Evangelho. Nascido em 1515, São Filipi Néri, foi morar com um tio negociante, que colocou diante de seus olhos a proposta de assumir os empreendimentos, mas acolheu as proposta do Senhor que eram bem outras.
Ao ir para Roma estudou Filosofia e Teologia, sem pensar no sacerdócio. Sendo um homem de caridade, vendeu toda a sua biblioteca e deu tudo aos pobres; visitava as catacumbas tinha devoção aos mártires e tudo fazia para ganhar os jovens para Deus, já que era afável, modesto e alegre, por isso fundou ainda como leigo, a irmandade da Santíssima Trindade.
São Filipe Néri, que muito acolhia peregrinos em Roma, foi dócil em acolher o chamamento ao sacerdócio que o despertou para as missões nas Índias. Porém, o seu Bispo esclareceu-lhe que a sua Índia era Roma.
Como Santo da Jovialidade, simplicidade infantil e confiança na Divina Providência, Filipe fundou a Congregação do Oratório; foi vítima de calúnias; esquivou-se de ser cardeal, mas não da salvação das almas e do seu lema: "pecados e melancolia estejam longe de minha casa".

segunda-feira, 25 de maio de 2015

"TERÁS UM TESOURO NO CÉU"

VIII Semana do Tempo Comum, segunda-feira
Mc 10, 17-27

"Tudo isso tenho observado..." - quem sabe também algum de nós possa dizer o mesmo que o jovem rico que se aproximara de Jesus. Quem sabe tenhamos observado os mandamentos de Deus, alguns mais e outros menos, e estejamos em busca daquele "algo mais", daquela pedra-de-toque que dá brilho a esse "cumprir os mandamentos" e que nos conduz ao Reino dos Céus, à vida eterna.
Ao jovem, Jesus mostra o caminho a seguir: "vende tudo o que tens e dá aos pobres... depois vem e segue-me". Mostrou-lhe, pois, como desapegar o coração dos bens e riquezas deste mundo para dá-lo somente a Ele, Jesus.
A nós todos, por diferentes meios, o Senhor também pede o mesmo desapego. Pois a pedra-de-toque da observância dos mandamentos é o amor. Não por mero legalismo, mas por amor é que se deve obedecer à Lei de Deus. Um amor que passa pelo desapego dos bens materiais e das coisas criadas, em diferentes graus conforme o estado de vida ao qual cada um é chamado por Deus. Um amor que não admite rivais: nada se deve antepor ao amor de Cristo (cf. São Cipriano de Cartago).
Qualquer apego do coração aos bens deste mundo, sejam muitos ou poucos, sejam grandes ou pequenos, colocará em segundo lugar o nosso amor ao Senhor. E, no entanto, Ele é quem deve ser amado sobre todas as coisas...
Examinemos, pois, o nosso coração, neste dia em que reiniciamos o Tempo Comum, e vejamos se ele pertence a Deus inteiramente ou se há nele alguma parte que ainda reservamos para nós. Como ao jovem rico, Jesus nos olha com amor. Ainda temos tempo de decidir amar ao Senhor de todo o coração e sobre todas as coisas e entregar tudo a Ele. Para não termos de ir embora tristes, como o jovem rico, que queria o Céu, mas estava preso às coisas da terra...

sexta-feira, 22 de maio de 2015

"TU ME AMAS?"

VII Semana do Tempo Pascal, sexta-feira
Jo 21,15-19


A Pedro é que Jesus pergunta: "tu me amas mais do que estes?". Pedro, que negou o Senhor três vezes, deverá por três vezes afirmar-Lhe o seu amor, começando por afirmar que ama Jesus mais do que os outros discípulos. E três vezes o Senhor mandará que Pedro apascente o Seu rebanho, que conduza, em Seu Nome, os seus futuros discípulos - de todos os tempos - às pastagens verdejantes de Seu Reino.
Somente Pedro deve amá-lO mais do que os outros. Mas a pergunta  "tu me amas?" é dirigida também a nós.
Porque é no amor que tudo se decide. É preciso amar a Jesus e amá-lO sobre todas as coisas. É preciso amar ao Senhor mais do que tudo, a ponto de desprezar a própria vida por causa dEle.
Por isso é que o Senhor dirige a Pedro aquelas palavras finais que lemos hoje, dizendo que outro o levará para onde ele não quererá ir. E o evangelista acrescenta: "Jesus disse isso significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus".
E também a isso todos somos chamados: a glorificar a Deus com nossas vidas. Se nem todos somos chamados a dar a vida para a glória de Deus pelo martírio de sangue, como tantos de nossos irmãos o são em tantas regiões do mundo ainda hoje, todos devemos dar a vida para a glória de Deus no martírio de cada dia, no testemunho fiel da vivência do Evangelho, da obediência aos mandamentos, da guarda de Sua Palavra. Desse modo testemunhamos ao mundo que amamos a Nosso Senhor.
São João da Cruz afirmava que "ao entardecer da vida, seremos julgados quanto ao amor". No dia do nosso juízo, quando formos chamados deste mundo à Sua Presença, o Senhor nos perguntará, a cada um de nós: "tu me amas?". Possa a nossa resposta ser idêntica à de Pedro: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo".

quinta-feira, 21 de maio de 2015

ESTAR COM CRISTO ONDE ELE ESTÁ

VII Semana do Tempo Pascal, quinta-feira
Jo 17,20-26


O Senhor deixa claro que não roga apenas por Seus apóstolos (daquele tempo e de todos os tempos), mas também pela multidão de homens e mulheres que, ouvindo a pregação e o testemunho dos apóstolos, haveriam de crer nEle pela palavra da Igreja. Ou seja, Jesus roga por nós todos, que cremos em Seu Nome pela Palavra que nos foi anunciada.
Mais uma vez, Nosso Senhor manifesta seu desejo de unidade, como parte essencial do testemunho que conduzirá o mundo ao reconhecimento de Jesus como o Enviado do Pai, o Filho amado de Deus.
Então, o Senhor expressa, a nosso respeito, um desejo que nos deveria levar imediatamente ao louvor e à ação de graças: Ele quer levar-nos para o Céu, para junto dEle, a fim de que contemplemos a Sua glória! E pede ao Pai que derrame sobre nós o Seu Amor!
Se nosso Deus e Senhor Jesus Cristo tem tão grande desejo e expectativa a nosso respeito, de que mais precisamos? Corramos ao Seu encontro, correspondamos ao Seu Amor por uma vida santa, não permitamos que alguma sombra de pecado nos impeça de amá-lO sobre todas as coisas e de atender ao Seu desejo de levar-nos para junto dEle.
Que o desejo de estar com Cristo preencha e dilate o nosso coração! E, assim, não meçamos esforços para realizá-lo.
Façamos nossas as palavras dos santos: "Vós sois, Senhor, o desejo e a saudade de minha alma"!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

QUE TODOS SEJAM UM - UT UNUM SINT

VII Semana do Tempo Pascal, quarta-feira
Jo 17,11-19

O Senhor deseja a unidade e a pede ao Pai. A unidade dos cristãos (aqueles que creem em Jesus, Deus e Homem verdadeiro, o Senhor, o Verbo feito carne para a vida do mundo, que morreu por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação, o Redentor do homem) não se dará como resultado de esforços humanos, frequentemente equivocados, frequentemente dispostos a abrir mão do essencial em função de uma coexistência - mais cordial do que pacífica - que está muito longe da unidade pela qual Nosso Senhor orou ao Pai tão ardentemente.
A unidade dos cristãos, se e quando vier, virá por graça de Deus. Só a Ele poderá ser tributada. Prova disso é a exemplaridade para a qual Jesus aponta em Sua oração e que será a concretude da unidade: "assim como NÓS somos um".
Se o critério da unidade dos cristãos é a unidade do Pai e do Filho, na qual há uma relação de Amor perfeita e uma perfeita e total identificação de vontades, então isso exige de nós, individual e comunitariamente, que busquemos identificar inteiramente a nossa vontade com a Vontade de Deus. Ou seja, consagrar-nos na verdade, como o Senhor pede em seguida ao Pai por nós, os Seus discípulos de todos os tempos.
E ainda que não esteja nas mãos de nenhum fiel em particular obter a tão desejada unidade, está, sim, sob a responsabilidade individual dos fieis buscar seriamente em sua própria vida a total correspondência à Vontade de Deus. Ou seja, o empenho sério e comprometido de lutar pela santidade pessoal, sem sentimentalismo, abraçando a cruz de cada dia, que é a cruz dos próprios defeitos e misérias; a cruz da obediência; a cruz da renúncia, do abandono dos próprios caprichos e da doação ao próximo na busca de seu verdadeiro Bem, que é o próprio Cristo Senhor.
Não haverá unidade dos cristãos, sob Pedro, na verdadeira Igreja de Cristo, se não houver santidade. Ou, ao menos, um grande empenho em lutar por ela, desde o mais humilde dos fieis até o Papa.
Lutar pela santidade é o que corresponde a cada um de nós, se amamos a Nosso Senhor e procuramos fazer o pouco que nos cabe para atender ao desejo de unidade. E também pedir muito a Deus por essa unidade, pois é só Ele que pode dá-la à Sua Igreja. No tempo oportuno, o Senhor nos dará a paz e a unidade, segundo o Seu desejo, que hoje vemos tão ardentemente manifesto em Sua oração sacerdotal.
Podemos ficar tranquilos, serenos e confiantes. A luta é grande e dura e é para toda a vida, mas o Senhor está conosco e roga por nós ao Pai, que nos guarda do maligno, o demônio, o inimigo infernal de nossas almas.

terça-feira, 19 de maio de 2015

A VIDA ETERNA

VII Semana do Tempo Pascal, terça-feira
Jo 17, 1-11


Antes de Sua glorificação (isto é, antes de chegar a Sua "hora", a hora da Cruz, quando Ele, elevado da terra, atraiu tudo a Si), Jesus ora ao Pai. É a Sua grande oração sacerdotal, que São João conservou com toda a fidelidade neste capítulo de seu Evangelho.
Ao iniciar a oração, Nosso Senhor pede ao Pai que O glorifique - pela Cruz e Ressurreição - porque a hora é chegada e Jesus deseja dar a vida eterna aos homens que Lhe foram confiados pelo Pai. E deve fazê-lo por meio da glória da Cruz.
Então, sem rodeios, o Senhor define o que é a vida eterna: "que eles Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que Tu enviaste, Jesus Cristo".
Inescapável. Não há outra verdade, senão esta. Não há outro Deus senão Aquele que nos foi revelado em Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, o enviado do Pai.
Diante disso, não há outra possibilidade senão escolher entre amá-lO e não amá-lO. E quem O ama, como Ele mais uma vez afirma, guarda a Sua Palavra, que é a Palavra do Pai.
Ao ler e meditar mais uma vez a oração sacerdotal de Jesus, somos confrontados com a radicalidade de Sua proposta e com a necessidade de fazer uma escolha: rejeitá-lO e pertencer ao mundo; ou amá-lO e pertencer ao Pai e a Ele.
É uma escolha que se faz com a própria vida: quem O ama, guarda a Sua Palavra, cumpre a Sua Vontade, toma a cruz de cada dia e segue-O.
Por estes, mas não pelo mundo, o Senhor roga ao Pai. Rogou naquele tempo e continua a rogar hoje e até o fim dos tempos. Jesus está diante do Pai como nosso eterno intercessor.
Por isso, se verdadeiramente O amamos, se guardamos a Sua Palavra, podemos ter confiança e alegrar-nos.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

PARA QUE TODOS SEJAM UM

VII Semana do Tempo Pascal, segunda-feira
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
Jo 17, 20-23
(da Missa pela Unidade dos Cristãos)

Nosso Senhor nos deu a glória que o Pai lhe deu... Mas a glória de Cristo é a CRUZ! A Cruz é o trono de glória do Senhor! Quando São João, em seu Evangelho, fala na glorificação do Filho do Homem, está falando da Cruz, de onde Ele, "elevado da terra" atrairá a todos e a todas as coisas a Si.
Esta, pois, é a glória que nos foi dada: a glória da cruz, único caminho pelo qual se pode chegar à glória do Céu.
Somente a cruz prova que somos verdadeiros discípulos de Cristo e marca-nos, por assim dizer, com o Seu selo.
Só abraçando a cruz com Cristo é que podemos ser um com Ele e com o Pai e seremos amados, ou melhor, nos deixaremos amar com o mesmo amor com que o Pai amou o Filho. A Cruz é a glória dada ao Filho pelo Pai e sinal de Seu amor. Se o Pai, pois, nos presenteia com a cruz, é porque ama-nos como amou ao Filho, com amor de predileção. Se não fosse assim, por que haveria de tratar-nos como tratou a Seu Filho amado?
Abraçando a cruz, identificamo-nos plenamente com a Vontade de Deus. Por isso, a cruz torna-se, para nós, sinal de unidade.
Tendo podido convencer o mundo por quaisquer outros meios, Nosso Senhor preferiu a Cruz. Nada de prodígios, de grandes milagres, de curas portentosas ou um grande triunfo ao som de trombetas e de aclamações dos coros dos anjos. Apenas o (aparente) fracasso da Cruz...
Na Cruz, portanto, é que chegaremos à unidade: com Deus, conosco mesmos e com os mais próximos. E também por ela, a Cruz, é que chegaremos à unidade perfeita e tão desejada pelo Senhor, a unidade de todos os cristãos entre si, sob Pedro, na única Igreja de Cristo, a Igreja Católica.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

"Vós chorareis e vos lamentareis"

VI Semana do Tempo Pascal, sexta-feira
Jo 16, 20-23

Nosso Senhor predisse, de modo imediato, a tristeza dos discípulos diante de Sua Paixão e Morte iminentes (aconteceriam dali a poucas horas).
Também lhes predisse a Sua Ressurreição, que em seguida aos trágicos - e redentores - acontecimentos de Sua Paixão e Morte, ocorreria, completando o Mistério Pascal: "a vossa tristeza se transformará em alegria".
Mas estas palavras de Nosso Senhor servem também para nós, que hoje vemos e vivemos (e, muitas vezes, causamos com os nossos pecados) a sujeira no vestido e no rosto da Igreja, como disse o então Cardeal Joseph Ratzinger - hoje Papa Emérito Bento XVI - na oração da IX Estação da Via Sacra, na Sexta-feira Santa de 2005:
Senhor, muitas vezes a vossa Igreja parece-nos uma barca que está para afundar, uma barca que mete água por todos os lados. E mesmo no vosso campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. O vestido e o rosto tão sujos da vossa Igreja horrorizam-nosMas somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras, nossos grandes gestos. Tende piedade da vossa Igreja: também dentro dela Adão continua a cair. Com a nossa queda, deitamo-Vos ao chão e Satanás a rir-se porque espera que não mais conseguireis levantar-Vos daquela queda; espera que Vós, tendo sido arrastado na queda da vossa Igreja, ficareis por terra derrotado. Mas Vós erguer-Vos-eis. Vós levantastes-Vos, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós. Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós.
Podemos ter confiança e esperança, nós, cristãos católicos de hoje e de todos os tempos e que vivemos no tempo da Igreja, que estas palavras do Senhor são também para nós e que Ele, que é fiel e jamais abandona os que Lhe pertencem, cumprirá a Sua promessa: "Eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria".
Vivemos em tempos difíceis. Mas é preciso que se cumpra, em toda a Igreja e na vida de cada um de nós que somos os seus membros (membros vivos do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja), o que "falta à Paixão de Cristo" (cf. Cl 1, 24).
Não é fácil. Mas precisamos ser fieis e perseverantes no seguimento de Jesus Cristo, nosso Senhor, tomando a nossa cruz a cada dia, amando ao Senhor e conformando nossas vidas à Sua Vontade Santíssima. Se assim fizermos, nós O veremos, um dia, com nossos próprios olhos, alegrar-nos-emos no mais profundo de nossas almas e ninguém poderá tirar a nossa alegria.

terça-feira, 5 de maio de 2015

"A minha PAZ vos dou"

V Semana do Tempo Pascal, terça-feira
Jo 14,27-31

A paz de Cristo não é a paz do mundo. Quem vive na paz do Senhor - aquele que O ama e, por isso, escuta a Sua Palavra e obedece aos Seus Mandamentos - mesmo em meio às tribulações está tranquilo e seu coração está sereno. Quem vive na paz de Cristo sabe confiar e esperar em Deus e não se desespera, ainda que receba más notícias.
Pelo contrário, a paz do mundo é uma falsa tranquilidade, apoiada na posse de bens materiais, em falsas alegrias e em falsas promessas de felicidade que têm sua base no prazer, no prestígio e na aprovação da maioria. Mas é uma paz sem Deus, que pode ser derrubada ao sopro do primeiro vento de contrariedade e dissabor. Mais ainda, é uma paz que exige a rejeição de Deus, porque está baseada na mentira e no erro.
"O chefe deste mundo vem", diz o Senhor, alertando-nos de que seremos tentados e incomodados pelo inimigo de Deus e nosso, o demônio, pai da mentira, porque queremos ser discípulos de Cristo e seguir as Suas pegadas. Os inimigos do homem - o demônio, o mundo e a carne - virão contra nós para tentar afastar-nos do caminho do Senhor e roubar-nos, assim, a Paz que Ele nos dá. Mas confiemos em Nosso Senhor, que também afirma: "ele [o inimigo] não tem poder sobre mim".
O Filho ama o Pai e procede conforme o Pai ordenou. Façamos do mesmo modo também nós, procurando fazer, em tudo, a Vontade de Deus a nosso respeito. Assim teremos certeza que amamos a Deus e que seremos por Ele amados e viveremos em Sua Paz.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

"Se alguém me ama, guardará minha palavra"

V Semana do Tempo Pascal, segunda-feira
Jo 14, 21-26

O Senhor é, Ele mesmo, o parâmetro do amor. Uma vez que "ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos", não há dúvida de que o maior amor, entre todos, é aquele que Jesus tem por nós. Pois entregou a Sua vida para nos salvar "quando ainda éramos pecadores", quando nem mesmo nos havia feito Seus amigos.
No Evangelho que a liturgia nos propõe para hoje, o Senhor determina o parâmetro para o nosso amor por Ele. Ou seja, diz-nos como devemos amá-lO, como podemos saber que, de fato, O amamos: "quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama". Ou, dito de outra forma: "se alguém me ama, guardará a minha palavra".
Nosso amor por Jesus, portanto, deve ser provado por obras e verdade, um amor que escuta atentamente o que o Senhor lhe diz e pede e que se esforça tenazmente por cumpri-lo, ainda que lhe custe sacrificar gostos, comodidades, hábitos, caprichos e até mesmo objetivos e desejos.
É um amor, pois, perseverante até o fim, mesmo quando os sentimentos parecem estar ausentes ou quando a cruz se apresenta nos acontecimentos da vida ou se faz mais pesada.
Se Jesus não nos amou de brincadeira, como disse certa vez a Santa Catarina de Sena, é exatamente assim que devemos nós retribuir ao Seu amor.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

"...Minha Carne Dada Para a Vida do Mundo"

III Semana do Tempo Pascal, quinta-feira
Jo 6, 44-51

O Senhor dá a Si mesmo como alimento para nós. Mas nenhum alimento chega vivo à mesa de quem o consome. Para que algo seja de fato alimento, primeiro deve morrer. Mesmo na natureza é assim, pois os animais predadores, antes de comer, matam a sua presa.
O alimento, por assim dizer, comunica a vida ao morrer. O Senhor Jesus Cristo fez isto no mais alto grau, ao morrer crucificado e deixar para nós a Si mesmo na Eucaristia como Pão de Vida Eterna, do qual aquele que come vive eternamente.
Da morte do Senhor nos veio a Vida, que nos é comunicada sempre que participamos dignamente da Eucaristia.
Dessa participação em Sua Morte e Ressurreição, pela comunhão com Seu Corpo e Sangue, nasce para nós o compromisso de anunciar o que o Senhor fez por nós, o memorial que nos deixou e ao qual todos estamos convidados, uma vez que nos disponhamos a arrepender-nos de nossos pecados e a recebermos o perdão divino por meio do sacramento da Confissão. Mais ainda, todos os que partilhamos de Sua intimidade pela Eucaristia somos convidados à Sua imitação na doação da própria vida pelos irmãos.
Se a doação de nós mesmos, pelo bem que a cada dia procuramos fazer aos demais em obras e no testemunho de Cristo, não é capaz por si mesma de salvar ninguém, no entanto inserida no Sacrifício Redentor de Cristo torna-se - por Ele, com Ele e nEle - sacrifício espiritual e oferta agradável ao Pai.
Assim, a Eucaristia que recebemos, ao menos a cada domingo se mais não for possível, vai nos configurando a Cristo em Seu dom total de Si mesmo, até chegarmos a ser verdadeira imagem do Senhor diante do Pai e diante dos homens.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

"Quem vem a Mim..."

III Semana do Tempo Pascal, quarta-feira
Jo 6, 35-40

Há alguém a quem o Senhor rejeite? Pois é Ele mesmo quem afirma que não afastará quem vai a Ele, quem O busca com humildade e sinceridade de coração, "em espírito e verdade".
Todos os que buscam a Jesus com desejo sincero de encontrar a Verdade não serão rejeitados por Ele, porque Lhe são dados pelo Pai, que não deseja que ninguém se perca, mas "que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da Verdade" (ITm 2,4).
Esses serão ressuscitados por Cristo e levados por Ele a viver em Seu Reino, participando de Sua glória, nos Céus.
A participação na Eucaristia - memorial do sacrifício de Cristo e Sua Presença Real em Corpo, Sangue, Alma e Divindade - é condição e antecipação da Vida imperecível que haveremos de ter, um dia, com o Senhor no Reino dos Céus.
Para que alguém, por meio da comunhão com Ele, possa participar de Sua Vida divina, deve  conformar-se a Ele no cumprimento da Vontade de Deus Pai, como o próprio Senhor afirma: "Eu desci do Céu não para fazer a minha vontade, mas a Vontade daquele que Me enviou".
Conformar-se a Cristo não é outra coisa senão deixar a própria vontade para buscar a realização e o cumprimento perfeito da Vontade do Senhor, que é o querer do Pai. Conformar-se a Cristo é identifica-se com Ele de tal modo que se possa dizer o mesmo que Ele disse: "o meu alimento é fazer a Vontade dAquele que Me enviou". Ou, como São Paulo: "já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim".

terça-feira, 7 de abril de 2015

"O que devemos fazer?"

OITAVA DA PÁSCOA, terça-feira
At 2,36-41 e Jo 20, 11-18


O apóstolo Pedro, em sua pregação no dia de Pentecostes, depois de haverem recebido o Espírito Santo, apresenta ao povo que o escuta o Messias que aguardavam, Jesus, a partir de sua Paixão, Morte e Ressurreição. Ele, pois, foi constituído por Deus como "Senhor e Cristo", Ele, Jesus, a quem os ouvintes de então, a quem nós, os ouvintes de hoje, crucificamos com os nossos pecados.
E somos os ouvintes de hoje porque a Igreja, nestes dois mil anos, jamais cessou de fazer ressoar a voz de Pedro, que clama: "que todo o povo (...) reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes".
O caminho que fizeram os ouvintes de então, façamos nós também, que somos os ouvintes de hoje: essas palavras, ressoando em nossos corações, sejam capazes de dar-nos a compunção necessária para perguntarmos à Igreja o que devemos fazer. E, ouvindo a resposta - "convertei-vos" - reconheçamo-nos pecadores, peçamos o perdão de Deus e, recebendo-o por meio da Igreja, sejamos inseridos na morte do Senhor para, com Ele, um dia ressuscitarmos.
O chamado à conversão nunca é, mesmo quando dirigido a uma multidão, um chamado coletivo. O Senhor nos chama pelo nome, a cada um de nós, como fez com Maria Madalena no jardim, quando ela, naquele domingo de Páscoa, procurava pelo cadáver de Jesus e, ao encontrá-lO ressuscitado, foi incapaz de reconhecê-lO, porque já não tinha mais uma existência sujeita à morte. Pelo contrário, vivia já na glória, em uma existência transfigurada, que Ele promete a cada um de nós que perseverar em Seu seguimento até o fim.
Quando o Senhor nos chama pelo nome, somos capazes de reconhecê-lo e de responder ao Seu convite pessoal à conversão. Qual será a nossa resposta?

segunda-feira, 6 de abril de 2015

A Ressurreição e as Falsas Testemunhas

OITAVA DA PÁSCOA, segunda-feira
Mt 28, 8-15


Os guardas foram testemunhas da Ressurreição do Senhor. Ou, pelo menos, como dá a entender São Mateus, viram Jesus ir ao encontro das mulheres, aquele mesmo que estava antes como um cadáver no túmulo, um corpo morto. Espantados, fugiram e contaram tudo aos sumo sacerdotes dos judeus. Comprados que foram por estes, espalharam um rumor que sabiam ser falso - o boato do roubo do cadáver de Jesus por seus discípulos.
Não se pode pensar que alguma coisa - ainda que pequena - escapa à Providência Divina. Mesmo este rumor mentiroso a respeito do "sumiço" do corpo de Jesus fez parte dos desígnios de Deus.
Desse modo, a partir disso, permitiu o Senhor (ou, antes, quis) que a Sua Ressurreição não se tornasse um fato inequívoco, para que fosse exigida a fé nas testemunhas qualificadas, os apóstolos, aqueles que Ele escolheu para serem Suas testemunhas e seus representantes. A fé na Ressurreição de Jesus exige a fé na palavra da Igreja.
Os sumo sacerdotes e os guardas, mentindo, tornaram-se falsas testemunhas (e, por isso, hão de responder no dia do juízo, por causa de sua falsidade e maldade de coração, uma vez que sabiam o que havia acontecido e, uma vez mais, recusaram-se a crer no Senhor). Mas exatamente assim serviram aos propósitos de Deus, que quer fazer crescer a fé dos que Lhe pertencem, levando-os a crer no que diz e testemunha a Seu respeito aquela que Ele chama de "minha Igreja", sobre a qual o inferno jamais prevalecerá, segundo a Sua promessa.
Quanto a nós, não façamos do mesmo modo que os sumo sacerdotes e os guardas. Não deixemos que nossos interesses, ambições e conveniências pessoais se sobreponham à nossa fé na Palavra e na Vontade de Deus, que nos é manifestada por meio de Sua Igreja.  Diante de Deus, nossos corações e nossas palavras sejam sempre verdadeiros.

segunda-feira, 30 de março de 2015

E a casa ficou cheia do perfume do bálsamo...

Semana Santa, segunda-feira
Jo 12, 1-11


"(...) ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo."
O que Maria, irmã de Lázaro, faz a Jesus é demonstrar-Lhe o seu amor e o seu cuidado. Não é uma ação espalhafatosa, não é uma ação externa, não beneficia a ninguém (ao menos, aparentemente), não visa os pobres (como "denuncia" hipocritamente Judas Iscariotes).
É a forma como Maria manifesta ao Senhor o profundo afeto de seu coração, tão grande que não mediu esforço e gastos, mas procurou dar a Deus o melhor (de fato, o evangelista São João enfatiza que se tratava de uma boa quantidade - meio litro - de "nardo puro e muito caro").
Mas é justamente essa manifestação de profundo amor que enche de perfume a casa inteira!...
Este fato, pequeno, mas muito significativo, deve lembrar-nos que não são as obras que fazemos que contarão para Deus, mas o amor com que as ofertamos a Ele, tornando-as como esse bálsamo, esse nardo puríssimo que espalha o seu perfume por toda a nossa casa, isto é, que torna o odor de nossa alma, oferecida em sacrifício, agradável a Deus.

"Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a Mim, nem sempre me tereis."
Hoje, já não temos a Jesus fisicamente presente entre nós, exceto por Sua Presença Real na Eucaristia, pela qual podemos prestar ao Senhor a nossa adoração e o nosso amor, do mesmo modo como o fez Maria de Bethânia.
Por esse motivo, devemos com ainda maior urgência e presteza demonstrar-Lhe o nosso amor na pessoa daqueles que precisam de nós, seja em suas necessidades materiais, seja nas espirituais (tantas vezes, bem mais prementes).
Mas, para que não sejamos como Judas Iscariotes, cuidemos que o nosso amor ao próximo esteja enraizado e fundamentado no amor a Deus, em verdadeira caridade.
Pois, no dia em que o Senhor vier julgar as nossas obras, veremos que elas só terão valor na medida do amor com que as houvermos praticado. Tinha razão São João da Cruz: "no entardecer da vida, sereis julgados quanto ao amor".
Que as nossas obras, oferecidas como incenso no altar de Deus e queimadas pelo fogo puríssimo de Seu Amor, exalem o perfume do melhor dos bálsamos e encham dele a nossa alma, tornando-a para Ele agradável, um verdadeiro sacrifício de suave odor.

"(...) decidiram matar também Lázaro, porque, por causa dele, muitos (...) acreditavam em Jesus."
Essa, no entanto, é a sorte que espera aqueles que decidem oferecer sua vida a Deus e se tornam verdadeiros discípulos de Jesus Cristo: a perseguição. De uma forma ou de outra.
Porque um discípulo do Senhor é sinal da Verdade e de contradição para o mundo, que não deseja crer, porque abomina a Cruz de Cristo.
Um verdadeiro discípulo de Jesus sabe que deve sofrer e morrer com Ele, para com Ele chegar à glória da ressurreição. Mas isso é exatamente o que o mundo rejeita, porque as suas obras são más (cf. Jo 3, 19-21).
Não importa se os discípulos creem em Jesus porque Ele é a Verdade. Nem mesmo a verdade importa. O mundo deseja apenas eliminar, a qualquer custo, o incômodo que a verdade representa, na denúncia implícita e nos desmascaramento de suas obras.
Por isso, os discípulos do Senhor foram, são e serão sempre perseguidos, Hoje, como em todos os tempos do cristianismo, pessoas são presas, torturadas e mortas pelo "crime" de crer em Jesus Cristo como seu Deus e Senhor.
No entanto, com ou sem perseguições, "todo aquele que é da verdade, escuta a minha voz" (Jo 19, 37), disse o Senhor.
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