quarta-feira, 6 de abril de 2011

IV Semana do Tempo da Quaresma - Jo 5, 17-30

"Os Mortos Ouvirão a Voz do Filho de Deus"
Quem são os mortos que ouvirão a voz do Filho de Deus e que, ouvindo-a, viverão, senão cada um dos que, em todos os tempos, escutam a voz da Igreja, que transmite e faz ressoar incessantemente a Palavra do Verbo feito carne, Jesus, o enviado do Pai?
Quem são esses mortos, senão os que ouvem essa Voz que "ressoa e se espalha em toda a terra" e "chega aos confins do universo", e se decidem a segui-la e a fazer o que ela diz? Que procuram conformar suas vidas, corações e mentes ao Filho de Deus?
Esses, que assim fazem, saem de seus túmulos, saem das trevas da morte para a Vida e tornam-se também eles um eco dessa Voz, buscando fazer não a sua própria vontade, mas a Vontade do Pai, como fez Jesus, o Verbo eterno, que eles amam e seguem.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

III Semana do Tempo da Quaresma - Mc 12, 28-34

"Tu Não Estás Longe do Reino de Deus"
Um escriba aproxima-se de Jesus para fazer-Lhe uma pergunta. Quer ver se Jesus de fato conhece a Lei, dada por Deus ao Povo de Israel por meio de Moisés. Este escriba parece diferente dos demais escribas e fariseus que, a fim de apanhar o Senhor em contradição, constantemente fazem-Lhe perguntas e o põe à prova. Porque, uma vez que Jesus lhe dá a resposta, reconhece honestamente que o Senhor respondeu bem.
Desse modo, o escriba ultrapassa os legalismos e ritualismos do antigo Povo de Deus e chega ao coração da Lei, ao seu sentido maior. Alcança, assim, o Coração de Jesus, que faz entrever ao escriba um caminho de perfeição, que leva ao Reino de Deus e que ele já começou a percorrer.
Quem quiser entrar no Reino de Deus deve seguir uma única lei: a Lei do Amor. Diria, séculos mais tarde, o carmelita espanhol São João da Cruz: "no entardecer da vida sereis julgados quanto ao amor".
Entenda-se aqui, quando se fala em amor, não um mero sentimento adocicado ou um "sentir-se bem". Quando Jesus fala em amor, fala daquilo que Ele mesmo viveu: voltar-se permanentemente ao bem do outro, doando inteiramente a si mesmo. É uma decisão constantemente renovada, que não procura a própria realização, mas realiza-se no dom total de si. Começa em Deus e, por causa dEle, chega ao próximo.
É o Amor de Deus, do qual o ápice e o modelo maior é o próprio Cristo crucificado, que se entregou a Si mesmo por amor e obediência ao Pai e pela salvação de todos nós, homens.
Esse é o caminho de perfeição, o caminho do Amor, que todos devemos começar a percorrer nesta Quaresma.

Do Concílio Vaticano II - Constituição dogmática sobre a Igreja, "Lumen Gentium", § 42
Todos os cristãos são chamados à santidade
"Deus é caridade e quem permanece na caridade, permanece em Deus e Deus nele" (1 Jo 4, 16). Ora, Deus difundiu a sua caridade nos nossos corações, por meio do Espírito Santo, que nos foi dado (cf. Rom 5, 5). Sendo assim, o primeiro e mais necessário dom é a caridade, com que amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor dEle. Para que esta caridade, como boa semente, cresça e frutifique na alma, cada fiel deve ouvir de bom grado a palavra de Deus e cumprir, com a ajuda da graça, a Sua vontade, participar frequentemente nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, e nas funções sagradas, dando-se continuamente à oração, à abnegação de si mesmo, ao serviço efetivo de seus irmãos e a toda a espécie de virtude; pois a caridade, vínculo da perfeição e plenitude da lei (cf. Col 3, 14; Rom 13, 10), é que dirige todos os meios de santificação, os informa e leva a seu fim. É, pois, pela caridade para com Deus e o próximo que se caracteriza o verdadeiro discípulo de Cristo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

III Semana do Tempo da Quaresma - Lc 11, 14-23

"Chegou para Vós o Reino de Deus"
Jesus fala de um "homem forte e bem armado", que "guarda a própria casa". Quem é esse homem? Antes da vinda de Jesus, a humanidade e o mundo eram escravos que viviam sob o jugo do demônio, o "homem forte e bem armado", que nos mantinha acorrentados ao pecado e à morte e que nos guardava como propriedade sua, para nos perder e destruir.
Finalmente, veio Jesus, o Filho de Deus, o Senhor, o "homem mais forte", que arrancou a armadura do demônio e despojou-o, destruindo o pecado e a morte e libertando-nos de seu jugo.
Agora, já não somos mais escravos do demônio e sujeitos ao pecado e à morte. Podemos viver na liberdade e na glória dos filhos de Deus, pois Jesus Cristo, o Filho, nos libertou pelo sangue de Sua cruz.
Porém, ao contrário do demônio, Jesus não nos obriga a segui-lO. Propõe-nos o Seu seguimento, pede que sejamos Seus discípulos. Somos livres para escolher que caminho queremos percorrer e onde queremos chegar.
Mas o Senhor avisa: não há meio termo, não existe indecisão. Diante dEle, Jesus, só há duas alternativas possíveis: amá-lO e segui-lO ou rejeitá-lO de uma vez e abandoná-lO. Por isso Ele diz: "quem não está comigo, está contra mim".
Enquanto estamos nesta vida, podemos sempre refazer o caminho, arrepender-nos e voltar para o Senhor. E este tempo de Quaresma é-nos dado de modo especial para isso.

III Semana do Tempo da Quaresma - Mt 5, 17-19

"Vim dar-lhes pleno cumprimento"
Jesus veio para levar à perfeição do amor a Lei e os Profetas. Não veio, pois, para aboli-los ou para diminuir sua importância. Os mandamentos de Deus continuam válidos e em vigor para nós, hoje, e por todas as gerações. Tanto assim que foi justamente o Senhor quem cumpriu em primeiro lugar e perfeitamente toda a Lei.
Assim, quem quer amar e servir a Deus buscará e encontrará a Sua Vontade expressa nos Mandamentos.  A novidade trazida por Jesus Cristo, o Verbo de Deus feito carne, é o fundamento dado ao cumprimento da Lei: não mais por ritualismo ou mero legalismo, mas por amor.
Porque "os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade (...) e esses são os adoradores que o Pai procura" (Jo 4, 23), como disse Jesus à samaritana na beira do poço, quando lhe prometeu a água que sacia para sempre porque jorra para a vida eterna (Jo 4, 13-14).
De fato, o Senhor vincula a obediência e a prática dos mandamentos à posse do Reino dos Céus.

segunda-feira, 28 de março de 2011

III Semana do Tempo da Quaresma - Lc 4, 24-30

"Nenhum profeta é bem recebido em sua casa"
Deus vem aos Seus e os Seus não O recebem; expulsam-nO, rejeitam-nO, crucificam-nO. Desprezam a Sua graça. São orgulhosos, soberbos: exigem milagres e sinais, provas que os façam crer, como se o Senhor estivesse a seu serviço. Têm o coração duro e se recusam a crer em em Jesus e em Suas palavras. Não querem converter-se para Deus.
Hoje, somos nós, batizados, o Povo de Deus. Vamos rejeitá-lO quando vier a nós? Vamos expulsá-lO quando nos recordar das tantas vezes em que quis prodigalizr-nos os Seus favores e a dureza de nosso coração O impediu?
"Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor" (Sl 94,8), canta o salmo. Esse é o clamor do Senhor a nós nesta Quaresma, para que Lhe demos espaço em nossos corações e em nossas vidas, para que nos convertamos a Ele e Lhe pertençamos de uma vez por todas.
Só então Jesus poderá fazer em nós e por nós o que O vemos fazer por tantos outros que Lhe entregaram inteiramente suas vidas e, por isso, tornaram-se plenamente felizes.
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