quinta-feira, 11 de agosto de 2011

XIX Semana do Tempo Comum - Memória de Santa Clara de Assis, virgem

"Não devias também ter piedade do teu companheiro?"
Papa João Paulo II, beato
Encíclica "Dives in misericordia" cap. 17, §14
Se Paulo VI por mais de uma vez indicou que a «civilização do amor» é o fim para o qual devem tender todos os esforços, tanto no campo social e cultural, como no campo económico e político, é preciso acrescentar que este fim nunca será alcançado se, nas nossas concepções e nas nossas actuações, relativas às amplas e complexas esferas da convivência humana, nos detivermos no critério do «olho por olho e dente por dente» (Ex 21,24; Mt 5,38) e, ao contrário, não tendermos para transformá-lo essencialmente, completando-o com outro espírito. É nesta direcção que nos conduz também o Concílio Vaticano II quando, ao falar repetidamente da necessidade de «tornar o mundo mais humano» (GS 40), centraliza a missão da Igreja no mundo contemporâneo precisamente na realização desta tarefa. O mundo dos homens só se tornará mais humano se introduzirmos, no quadro multiforme das relações interpessoais e sociais, juntamente com a justiça, o «amor misericordioso» que constitui a mensagem messiânica do Evangelho.
O mundo dos homens só poderá tornar-se «cada vez mais humano» quando introduzirmos, em todas as relações recíprocas que formam a sua fisionomia moral, o momento do perdão, tão essencial no Evangelho. O perdão atesta que, no mundo, está presente o amor que é mais forte que o pecado. O perdão, além disso, é a condição fundamental para a reconciliação, não só nas relações de Deus com o homem, mas também nas relações dos homens entre si. Um mundo do qual se eliminasse o perdão seria apenas um mundo de justiça fria e pouco respeitosa, em nome da qual cada um reivindicaria os direitos próprios em relação aos demais. Deste modo, as várias espécies de egoísmo, latentes no homem, poderiam transformar a vida e a convivência humana num sistema de opressão dos mais fracos pelos mais fortes, ou até numa arena de luta permanente de uns contra os outros.
Com razão a Igreja considera seu dever e objectivo da sua missão assegurar a autenticidade do perdão, tanto na vida e no comportamento concreto, como na educação e na pastoral. Não o protege doutro modo senão guardando a sua fonte, isto é, o mistério da misericórdia de Deus, revelado em Jesus Cristo.
(fonte: http://www.evangelhoquotidiano.org/)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

XVII Semana do Tempo Comum - Mt 13, 44-46

Um tesouro escondido
De Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
A esposa [do Cântico] dos Cânticos diz [...] que se levantou do leito para procurar o seu Bem-Amado na cidade, mas em vão; depois de ter saído da cidade, encontrou Aquele que o seu coração amava (cf. Ct 3, 1-4). Jesus não quer que encontremos a Sua adorável presença no repouso: Ele esconde-Se. [...] Oh! Que melodia para o meu coração é esse silêncio de Jesus. Ele faz-Se pobre para que possamos usar de caridade para com Ele; estende-nos a mão como um mendigo para que, no dia radioso do julgamento, quando Ele aparecer na Sua glória, possamos escutar as Suas doces palavras: «Vinde, benditos de Meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e recolhestes-Me, estava nu e destes-Me de vestir, adoeci e visitastes-Me, estive na prisão e fostes ter coMigo» (Mt 25, 34-36). Foi o próprio Jesus que pronunciou estas palavras, é Ele que quer o nosso amor, que o mendiga. Põe-Se, por assim dizer, à nossa mercê, não quer tomar nada sem que Lho demos. [...]
Jesus é um tesouro escondido, um bem inestimável que poucas almas sabem encontrar, porque Ele está escondido e o mundo ama aquilo que brilha. Ah! Se Jesus Se tivesse querido mostrar a todas as almas com os Seus dons inefáveis, de certeza que não haveria nenhuma que O desdenhasse; mas Ele não quer que O amemos pelos Seus dons: Ele próprio é que deve ser a nossa recompensa.
Para encontrarmos uma coisa escondida, temos de nos esconder; a nossa vida deve, portanto, ser um mistério; é preciso assemelharmo-nos a Jesus, a Jesus diante de Quem se tapa o rosto (cf. Is 53,3). [...] Jesus ama-te com um amor tão grande que, se o visses, entrarias num êxtase de felicidade [...], mas não o vês e sofres com isso. Muito em breve Jesus «Se levantará para o julgamento, para salvar os humildes da terra» [Sl 76 (75),10].
(fonte: http://www.evangelhoquotidiano.org)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Festa de São Tiago, apóstolo - Mt 20, 20-28

"Quem quiser ser o primeiro, seja o vosso servo"
Quem ama a Jesus Cristo verdadeiramente e deseja de todo o coração servi-lO, será servidor dos demais e não desejará para si mesmo honrarias, títulos e posições de destaque. Para o verdadeiro servo de Jesus Cristo, a maior honraria é receber do mundo o mesmo que seu Senhor recebeu: o desprezo e a cruz.
No Reino dos Céus, reinar é servir. Essa é a lógica à qual devem obedecer, desde esta vida, todos os que pretendem ser discípulos de Jesus Cristo.
Mas em que consiste o serviço que deve praticar o discípulo de Cristo? Esse serviço, que se dirige fundamentalmente a todas as demais pessoas, traduz-se por fazer tudo, sem medir esforços, para que todos cheguem ao conhecimento de Cristo e tomem parte no Reino dos Céus. É doar-se aos demais como quem se doa ao próprio Cristo Jesus, que nos deu o exemplo máximo, pois não se apegou ao fato de ser Deus, mas humilhou-se a Si mesmo, tomando a forma de escravo (a condição humana) e foi obediente até a morte de cruz, sendo, por isso, exaltado pelo Pai (cf. Fl 2, 2-11).
Aquele que imitar o Senhor Jesus Cristo no serviço aos outros será verdadeiramente seu discípulo e será exaltado pelo Senhor como grande no Reino dos Céus.

XVII Domingo do Tempo Comum - Mt 13,44-52

O Reino dos Céus pode ser encontrado por quem não o procura. Se esse encontro inesperado encher de alegria aquele que encontrou o Reino, esse dará tudo o que tem para possuí-lo, pois entende que nada vale mais do que esse Reino que achou sem procurar e, talvez, sem mesmo haver desejado.
Mas há também que busque o Reino dos Céus porque sabe de seu valor infinito. Se essa busca for motivada por um coração sincero, aberto e generoso, então não será em vão. Pois todo aquele que busca, encontra, disse o Senhor (cf. Mt 7, 8). E também esse fará do Reino dos Ceús a sua única riqueza.
Todos são convidados a tomar lugar no Reino dos Céus. A rede dos pescadores do Reino (isto é, a rede da Igreja) é lançada permanentemente sobre o mar do mundo, a fim de tirar os homens do jugo do demônio e dar-lhes "a gloriosa liberdade dos filhos de Deus" (Rm 8, 21). Nem todos, porém, desejam ter parte no Reino de Deus. E os que quiserem ficar de fora serão como os peixes que não prestam, jogados de volta ao mar.
Porque Deus quer dar o Seu Reino a todos, mas não forçará ninguém (cf. ITm 2,4 - "Deus deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade"). Tomará posse do Reino aquele que o desejar de todo o coração; que, desejando-o, encher seu coração de alegria nesse desejo; e que, pelo Reino, seja capaz de dar tudo o que tem quando o encontra, ainda que jamais o tenha procurado.

Ouça também o podcast "A Pérola do Reino dos Céus",
no site Christo Nihil Praeponere:
http://padrepauloricardo.org/audio/49-testemunho-de-fe-%E2%80%93-17%C2%BA-domingo-do-tempo-comum-%E2%80%93-24072011/

sábado, 23 de julho de 2011

XVI Semana do Tempo Comum - Mt 13, 24-30

"Arrancai primeiro o joio (...) para ser queimado"
Não experimentamos em nós tanto os impulsos que vem de Deus para fazer crescer nossas almas e levar-nos à santidade, quanto os impulsos de nossas paixões desordenadas que nos desviam do amor de nosso Senhor?
Pois estes últimos, os impulsos de nossa natureza humana ferida pelo pecado, devem ser purificados e arrancados, na medida em que cresce em nós o Amor de Deus, "derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (cf. Rm 5,5).
Assim, com o terreno limpo, poderá o trigo maduro do Amor do Senhor (semeado, cultivado e crescido em nossos corações e em nossas almas) ser cortado e recolhido ao celeiro do Reino dos Céus, para a eternidade.
Nesse Reino não há mais joio e nossos corações, purificados e limpos, já não poderão querer mais nada de mal, contemplando para sempre seu Senhor, objeto único de seu desejo; infinitamente sendo amados por Ele e a Ele amando pelos séculos sem fim.
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