quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

"Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura..."

Tempo do Natal, quinta-feira depois da Epifania
Lc 4, 14-22

Vivemos no hoje de Deus, no ano da graça que o Verbo feito carne veio proclamar. Sim, porque o Evangelho não era uma boa notícia, mas continua sendo a Boa Nova, sempre atual, enquanto não chega o fim dos tempos, enquanto aguardamos o retorno de nosso Senhor.
Também para nós, hoje, cumpre-se esta Escritura.
Mas em que medida, visto que a passagem de Isaías lida por Jesus fala em pobres, cativos, cegos e oprimidos? Como nos incluímos nestas categorias?
Infelizmente, esta citação tem se prestado para todo tipo de manipulação ideológica, nas últimas décadas. E já não é lida conforme o sentido espiritual que a Escritura lhe empresta.
Quem são os pobres? São, pura e simplesmente, os pobres em sentido material? Certamente que não. Se recorrermos à Escritura, podemos ver que os pobres de Yahweh são aqueles que põe toda a sua esperança em Deus e que, por isso, permanecem fieis a Ele. Estes pobres são os servos do Senhor, dos quais, certamente, Maria Santíssima é a primeira. Embora estes pobres também o possam ser em sentido material, não é necessário que o sejam.
E os cativos, os cegos, os oprimidos? Ora, Nosso Senhor veio para nos trazer libertação, sem dúvida. Mas veio para libertar-nos do demônio, do pecado e da morte. Éramos todos cativos do demônio, cegos de uma cegueira espiritual por causa do pecado e oprimidos pelo temor da morte. A vinda do Senhor na carne liberta-nos do nosso antigo senhor, o demônio, inimigo de Deus, para dar-nos a verdadeira liberdade, que é a liberdade de servi-lO, adorando-O em espírito e verdade. Jesus abre os nossos olhos para a verdadeira Vida e, por isso, a morte já não é mais nossa inimiga, mas a porta pela qual passamos para o Reino dos Céus.
Se é assim, os pobres aos quais a Boa Nova é anunciada somos todos nós. Todos os que, reconhecendo a nossa miséria, confiamo-nos a Deus e colocamos toda a nossa esperança somente nEle. Todos os que tomarmos o nome de cristãos, até o fim dos tempos.
E é por isso que podemos ouvir com alegria que hoje se cumpre para nós esta passagem da Escritura que acabamos de ouvir.
Lembremo-nos, porém, da advertência que a mesma Escritura nos faz: "hoje, se ouvirdes a Sua Voz, não fecheis o vosso coração" (cf. Sl 94, 8 e Hb 3, 7-8).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

"Eles tinham os corações endurecidos"

Tempo do Natal, quarta-feira depois da Epifania
Mc 6, 45-52


Se temos o coração endurecido, como podemos compreender quando Deus nos visita? Se os discípulos não foram capazes de fazê-lo, apesar de terem visto com os próprios olhos os milagres realizados pelo Senhor - a multiplicação dos pães e o caminhar sobre as águas - como poderemos nós, que somos visitados por Deus nas circunstâncias ordinárias da vida, talvez mais frequentemente pela dor do que pela alegria?
E, no entanto, sempre que vem a nós, o Senhor diz: "Coragem, sou Eu! Não tenhais medo!" A Sua Presença faz o vento contrário das tribulações cessar. NEle somos fortes e vencedores do mundo.
A dureza de coração impede de reconhecer o Senhor. Mas Ele vem, insiste, bate à porta. Não deixemos de abrir. Removamos os obstáculos - o medo, o orgulho, a autossuficiência - que nós mesmos colocamos. Jesus entrará e nos trará a paz.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Sonho de São José

III Semana do Tempo do Advento, terça-feira antes do dia 24/12
Mt 1, 18-24


O Senhor cuida dos Seus, de todos aqueles que Lhe pertencem. Cuidou de Maria, escolhida para ser a Mãe do Salvador, para que nada lhe acontecesse de mal. Mas, aqui, cuidou especialmente de José, que "era justo", para que não lhe faltassem os meios, ainda que extraordinários, para discernir a Vontade de Deus a seu respeito e cumpri-la, colocando-a em prática, como já fizera por toda sua vida.
Quando, pois, os acontecimentos superavam o entendimento e as forças de José, Deus veio em seu socorro por meio do anjo, em um sonho. E José, fiel servidor do Senhor, agiu conforme lhe havia sido revelado da parte de Deus.
O Senhor sempre vem em socorro dos que O amam, os que desejam de todo o coração servi-lO, com sinceridade e humildade. Deus é fiel e nunca deixa os Seus entregues à própria sorte.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

"E a virtude do Senhor o levava a curar"

II Semana do Tempo do Advento, segunda-feira
Lc 5, 17-26


Nosso Senhor tem compaixão de nós e não lhe é indiferente aquilo que nos faz sofrer, tanto na alma como no corpo. O Seu ensinamento era alimento para a alma de quantos O escutavam, mas a alguns era preciso curar também o corpo, para que a paralisia física não impedisse a alma de correr livremente para Deus, para amá-lO e servi-lO.
Tal era a condição daquele paralítico. Tão profunda era a sua paralisia, que sequer podia, por si mesmo, pedir ao Senhor sua própria cura. Tão inerte estava sua alma, que sequer era capaz de gritar e de clamar a Deus por socorro. Precisava, pois, de amigos que o fizessem em seu lugar. E quanto amor demonstraram esses amigos, que chegaram a remover um telhado para levar aquele homem paralítico a Jesus!
Por causa do amor e da imensa fé de seus amigos, o Senhor perdoa-lhe os pecados, realizando nele a cura mais importante: a cura da alma, que jazia paralisada e presa pelo pecado. A cura do corpo, essa veio depois, como um sinal para os que duvidavam da autoridade e do poder de Jesus.
No entanto, que importante a intercessão dos amigos do ex-paralítico, curado por causa do amor e da fé que eles provaram ter! Que importante orarmos uns pelos outros e colocarmos a todos os que necessitam na presença de Jesus, para que Ele os cure! Quantos "telhados" não devemos mover para que isso aconteça...! Quantos milagres podemos obter do Senhor, se Lhe demonstrarmos o mesmo amor por nossos irmãos e a mesma confiança nEle...!
Hoje ainda a virtude do Senhor O leva a curar. Mostremos a Ele, Jesus, a nossa fé e o nosso amor, movendo céus e terra por aqueles que necessitam de nós para irem até o Senhor, para estarem diante dEle, porque já não podem fazê-lo sozinhos.

sábado, 8 de dezembro de 2012

"Eis aqui a escrava do Senhor"

Solenidade da Imaculada Conceição de Maria
Lc 1, 26-38


Ela é especial, mas não sabia disso quando foi visitada pelo Arcanjo Gabriel. Quando, então, terá efetivamente compreendido as maravilhas que nela fez o Senhor? Talvez, apenas no Céu. Enquanto viveu neste mundo, Maria "guardava todas essas coisas e as meditava em seu coração".
Perturbou-se porque um anjo foi ao seu encontro, porque ignorava que ela mesma é a Rainha dos anjos, a Rainha do Céu e da terra. Perturbou-se porque foi chamada "cheia de graça" pelo mensageiro celeste, enquanto via a si mesma como nada mais do que "a escrava do Senhor".
A perturbação, porém, não paralisou Maria. De imediato, ela colocou-se inteiramente disponível à Vontade de Deus a seu respeito.
Não perguntou porque e nem tentou "negociar" com o anjo. Apenas quis saber como, pois não via ao seu alcance os meio humanos necessários para o que lhe estava sendo anunciado da parte do Senhor. Ao ouvir que tudo viria do poder de Deus, tranquilizou-se e disse o seu "fiat".
O "fiat" de Deus criou o universo. O "fiat" de Maria deu lugar à nova criação realizada por seu Filho Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor.
É preciso que também nós a chamemos bem-aventurada, porque grandes coisas fez por meio de Maria Aquele que é poderoso e cujo Nome é santo!
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