quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

V Semana do Tempo Comum, quinta-feira – Mc 7, 24-30 – Memória de Nossa Senhora de Lourdes

Os filhos e os cães

Fé e humildade: as duas armas que essa mulher pagã (não judia) usa para obter de Jesus que livre sua filha do demônio que a possui.

Os judeus daquele tempo chamavam de "cães" aos pagãos e estrangeiros. Daí a primeira resposta de Jesus à mulher, comparando-a e a filha a "cachorrinhos".

Ao dar-lhe uma resposta tão dura, mais semelhante a uma recusa, Jesus quer estender os limites da fé dessa mulher estrangeira – se ela crê de verdade, a humilhação que Jesus aparentemente lhe impõe não será obstáculo.

Com humildade, pois, a mulher não recusa esse tratamento, mas demonstra ao Senhor que crê (e conhece, pela fé) que a Ele não falta poder para libertar do demônio tanto os filhos (o povo de Israel) quanto os "cães" (estrangeiros): o que serve e sobra aos filhos ajuda a saciar a fome dos cachorrinhos.

Por causa dessa demonstração de fé humilde e corajosa, que não se detém diante de obstáculos e provações, a mulher recebe de Deus o que viera buscar – sua filha é libertada da possessão.

Nas provações que Deus nos permite para purificar e fazer crescer a nossa fé, sejamos como essa mulher: humildes, confiantes, perseverantes. Tenhamos, como ela teve, a audácia da fé.

Porque o Senhor não nos recusará nada que seja verdadeiramente para o nosso bem, para a nossa salvação.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

V Semana do Tempo Comum, terça- feira – Mc 7, 1-13

Os mandamentos do Senhor são superiores às tradições humanas. Estas podem ser seguidas, desde que não firam a Lei de Deus no que ela tem de mais essencial. Pois a essência da Lei é a caridade, o amor de Deus.

Por isso, no Evangelho de hoje, Jesus condena quem oferecia e consagrava seus bens a Deus, mas deixava os próprios pais sem sustento, passando necessidades e privações.

Acima de tudo, Jesus institui o mandamento do amor: a Deus sobre todas as coisas, isto é, em primeiro lugar e acima de tudo; e ao próximo como a si mesmo e por amor de Deus.

Quem faz isso, presta a Deus o verdadeiro culto de adoração, "em espírito e verdade", que brota do coração e não é mero ritualismo.

As tradições, a liturgia, a oração pessoal e comunitária, a adoração, o louvor ganham vida nova quando nelas se coloca o coração, o verdadeiro amor a Deus, que deve ser o fundamento de toda e qualquer prática da fé.

Certamente Deus não quer do ser humano um culto mecânico, mas espera que o homem coloque o coração nos ritos que Ele próprio instituiu.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

V Semana do Tempo Comum, segunda-feira – Mc 6, 53-56

E todos quantos O tocavam ficavam curados

As pessoas acorriam a Jesus levando seus doentes para que fossem curados por Ele. Alguns pediam para tocar a orla de seu manto e todos quantos O tocavam ficavam curados.

A imensa falta de fé que acomete a humanidade em nossos dias faz com que já não corramos mais ao encontro de Jesus, para sermos curados dos males que nos afligem. Sofremos muito, seja por causa de doenças e males físicos, seja pela solidão devastadora, pelo vazio existencial e pela falta de sentido (e de Deus), que são os grandes males do homem moderno. Mas na recorremos a Jesus, que é o único que verdadeiramente nos pode curar no corpo e na alma e preencher de sentido nossas vidas, livrando-nos da solidão, do vazio, da tristeza e da angústia.

O Evangelho, porém, é taxativo a esse respeito: "TODOS quantos O tocavam ficavam curados".

Se é assim, o que estamos ainda esperando? Busquemos a Jesus, ao Senhor que nos espera para curar-nos. Mas onde poderemos encontrá-lO e como poderemos tocá-lO? Podemos encontrar e tocar Jesus na oração que brota do fundo do coração e da alma e busca-O com toda sinceridade. Podemos encontrar e tocar Jesus em Sua Igreja. Podemos encontrar e tocar Jesus na Missa, que é o memorial permanente e a atualização de Seu único e perfeito sacrifício por nós. Podemos encontrá-lO e tocá-lO nos sacramentos que Ele mesmo nos deixou, sob a responsabilidade da Igreja. E, dentre todos os sacramentos, a Confissão (Reconciliação) e a Eucaristia são lugares privilegiados para o encontro com o Senhor – porque são sacramentos de cura.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

IV Semana do Tempo Comum, sexta-feira - Mc 6, 14-29 - Memória de Santa Águeda, virgem e mártir

Herodes, nomeado governador da Judeia pelos romanos, tinha medo de João, o Batista! Herodes, o poderoso, com medo de um pregador solitário, que vivia no deserto e conclamava o povo a converter-se de coração para Deus!

Mas João era justo e santo e deixava Herodes embaraçado, porque vinha a ele com o poder da verdade. Por isso Herodes tinha medo e protegia-o – no fundo, sabia que estava em erro e que maior erro seria ainda tentar calar essa voz que clama no deserto e que o acusava para dar-lhe a oportunidade de converter-se.

O pecado, porém, escraviza quem nele vive. Preso a um juramento injusto (e que, por isso mesmo, não o obrigava de fato), o rei silencia a voz de João Batista, o precursor do Messias. Prefere afundar-se no mal a converter-se e mudar a sua vida.

Quando Jesus ganha notoriedade, o rei logo se lembra da voz que mandara calar. Tem remorso, sente medo. Mas segue sua vida presa aos erros que comete, afundando-se cada vez mais. A última chance de conversão de Herodes será diante de Jesus, preso e flagelado, que lhe será enviado por Pilatos para ser julgado. Também essa chance o rei Herodes deixará passar...

A nós também Deus aponta os erros e dá chances diárias de abandonarmos nossos pecados, pequenos ou grandes, e voltarmo-nos para Ele, a fim de vivermos a verdadeira vida em Deus. Não calemos os mensageiros que Deus constantemente nos envie, mas ouçamos a sua voz.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

IV Semana do Tempo Comum, quinta-feira – Mc 6, 7-13

Começou a enviá-los dois a dois

O Senhor manda os seus discípulos em missão, dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros, para que anunciem o Reino de Deus. Devem fazê-lo agora, enquanto Jesus ainda está fisicamente presente entre eles, para que possam continuar a anunciar o Reino depois da Ressurreição e da Ascensão, quando a presença do Senhor não será física, mas espiritual.

Os discípulos deviam aprender a partir para anunciar a Boa Nova do Reino dos Céus munidos apenas da confiança em Deus, que os envia e sustenta com Sua Providência. E, de fato, o fizeram, pois o Evangelho de hoje relata o sucesso dessa primeira missão – curaram muitos doentes e expulsaram muitos demônios.

Também a nós, que queremos ser discípulos (seguidores) de Jesus Cristo, o Senhor confia a missão de anunciar e testemunhar a Boa Nova de Seu Reino, a cada dia de nossas vidas e em todas as circunstâncias, mesmo as menores e mais insignificantes do dia-a-dia. E para cumprir bem essa missão, da forma como se nos apresenta a cada dia, devemos ter a mesma confiança daqueles primeiros discípulos, que partiram sem levar nada para o caminho.

Tudo sempre vai bem em nossas vidas, se está de acordo com a Vontade de Deus, providente e misericordiosa e que tudo governa. Mesmo quando, humanamente, vemos que tudo vai mal. Se vivermos em Deus sempre teremos sucesso, mesmo quando aparentemente fracassarmos.

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