quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quarta-feira de Cinzas – Mt 6, 1-6.16-18


Rasgai o vosso coração e não as vestes
Rasgai o vosso coração e não as vestes (Jl 2, 13). Que o arrependimento e a conversão sejam sinceros, não apenas de aparência, pois o Senhor espera de nós um coração contrito e humilde, que é o sacrifício que Lhe agrada (cf. Sl 50/51).

Pois hoje, neste tempo de Quaresma que começa, é o momento favorável, é agora o dia da salvação (2Cor 6,2).

E os três grandes pilares deste tempo favorável para voltar o coração a Deus são a esmola, a oração e o jejum.

A esmola é o grande meio de manifestar o amor ao próximo que necessita de ajuda para ter o necessário à sobrevivência com dignidade.

A oração, tanto pessoal como litúrgica (a Missa), é o meio por excelência de permanecermos unidos a Deus, tornando nosso coração sensível e aberto à Sua Vontade.

O jejum é a forma externa e concreta de reconhecermos, diante de Deus, a nossa condição de criaturas pecadoras e Lhe ofertarmos o nosso desejo sincero de repararmos as ofensas que cometemos contra Ele.

Não por acaso é exatamente o trecho em que Jesus indica esses três meios de conversão (e a forma de praticá-los, com sinceridade, diante de Deus e sem hipocrisia) que abre o tempo da Quaresma, na quarta-feira de Cinzas que hoje celebramos.

Ao recebermos as cinzas, lembremos que somos pó e ao pó voltaremos e que precisamos, por isso, converter-nos e crer no Evangelho.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

VI Semana do Tempo Comum, terça-feira – Mc 8, 14-21


Vós tendes o coração endurecido?
Jesus aproveita o fato dos discípulos haverem esquecido de comprar pão para dar-lhes mais um ensinamento: que não se deixem contaminar pelo "fermento" dos fariseus e de Herodes. O que Jesus queria dizer com isso? Que não se deixassem levar pela hipocrisia farisaica, pela ambição do rei Herodes e pelo endurecimento de coração (que impedia a fé e a conversão a Deus) de ambos.

Os discípulos, porém, não compreendem e escutam de Jesus uma repreensão. Pois tinham acabado de ver várias vezes o Senhor multiplicar os poucos pães de que dispunham para alimentar multidões e, ainda assim, achavam que Ele se referia ao pão que alimenta o corpo, quando fala do fermento.

E qual é o fermento que devemos colocar na massa de nossas vidas? O fermento da caridade, do Amor de Deus que "foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5). Amando a Deus, que nos amou primeiro (cf. 1Jo 4, 19), e amando ao próximo tornamo-nos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, nosso Senhor.

Busquemos também o fermento de um coração dócil ao Senhor, para compreender tudo quanto Ele nos diz e mostra, muitas vezes através dos mais simples acontecimentos de nossas vidas. Pois a Sua Providência conserva e guia sempre as nossas vidas, a fim de que, um dia, O possamos alcançar.

Não sejamos, pois, como os discípulos de então, que nada podiam compreender de quanto Jesus lhes mostrava e ensinava, mas tenhamos a mente e o coração abertos à Palavra e aos sinais de Deus, para que não tenhamos de ouvir dEle um dia: "e vós ainda não compreendeis?".

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

VI Semana do Tempo Comum, segunda-feira – Mc 8, 11-13



A esta geração, nenhum sinal será dado
Por que Jesus, que realiza tantos sinais entre o povo, recusa-se a dar um sinal aos fariseus que vêm a Ele e Lhe pedem que o faça?

Todas as vezes que Jesus faz um milagre (a cura de um doente ou a ressurreição de um morto) ou expulsa demônios, Ele o faz com vistas à fé do beneficiado e/ou do povo ao redor. O Senhor não quer apenas curar o corpo, mas visa primeiro promover a fé e a salvação da pessoa, ou seja, quer realizar uma cura integral, chegando do corpo ao coração e ao espírito.

Estes fariseus, no entanto, vêm até Jesus para pô-lo à prova. Têm o coração fechado à fé no Senhor. Pedem um sinal com orgulho e presunção, como se Deus lhes devesse uma prova de Sua identidade e de Seu poder. Jesus dá-lhes as costas e vai embora, porque não está a serviço da arrogância dos homens.

Sejam estes fariseus e a atitude de Jesus para com eles, hoje, verdadeiros sinais para nós. Se agimos como eles diante de Deus, não nos deve surpreender se não somos ouvidos e nem atendidos. Não passamos de frágeis criaturas, pó e cinza, a quem o Senhor mantém na existência. Que podemos pretender exigir dEle?


São Padre Pio de Pietrelcina: Crer mesmo na obscuridade
O Espírito Santo diz-nos: não permitais que o vosso espírito sucumba à tentação e à tristeza, porque a alegria do coração é a vida da alma. A tristeza de nada serve e é causa da nossa morte espiritual.
Acontece por vezes as trevas da morte esmagarem o céu da vossa alma; mas essas trevas são luz! Graças a elas, podeis crer mesmo na obscuridade; o espírito sente-se perdido, receia não voltar a ver, não voltar a compreender. Mas é nesse momento que o Senhor fala e Se torna presente à alma; e esta compreende e ama no temor de Deus. Assim, pois, não espereis pelo Tabor (Mt 17, 1) para «ver» a Deus, quando O contemplais já no Sinai (Ex 24, 18).
Progredi na alegria de um coração sincero e aberto. E, se não conseguirdes manter esta alegria, pelo menos não percais a coragem e continuai a ter confiança em Deus.
(do site: http://www.evangelhoquotidiano.org/)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

V Semana do Tempo Comum, quinta-feira – Mc 7, 24-30 – Memória de Nossa Senhora de Lourdes

Os filhos e os cães

Fé e humildade: as duas armas que essa mulher pagã (não judia) usa para obter de Jesus que livre sua filha do demônio que a possui.

Os judeus daquele tempo chamavam de "cães" aos pagãos e estrangeiros. Daí a primeira resposta de Jesus à mulher, comparando-a e a filha a "cachorrinhos".

Ao dar-lhe uma resposta tão dura, mais semelhante a uma recusa, Jesus quer estender os limites da fé dessa mulher estrangeira – se ela crê de verdade, a humilhação que Jesus aparentemente lhe impõe não será obstáculo.

Com humildade, pois, a mulher não recusa esse tratamento, mas demonstra ao Senhor que crê (e conhece, pela fé) que a Ele não falta poder para libertar do demônio tanto os filhos (o povo de Israel) quanto os "cães" (estrangeiros): o que serve e sobra aos filhos ajuda a saciar a fome dos cachorrinhos.

Por causa dessa demonstração de fé humilde e corajosa, que não se detém diante de obstáculos e provações, a mulher recebe de Deus o que viera buscar – sua filha é libertada da possessão.

Nas provações que Deus nos permite para purificar e fazer crescer a nossa fé, sejamos como essa mulher: humildes, confiantes, perseverantes. Tenhamos, como ela teve, a audácia da fé.

Porque o Senhor não nos recusará nada que seja verdadeiramente para o nosso bem, para a nossa salvação.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

V Semana do Tempo Comum, terça- feira – Mc 7, 1-13

Os mandamentos do Senhor são superiores às tradições humanas. Estas podem ser seguidas, desde que não firam a Lei de Deus no que ela tem de mais essencial. Pois a essência da Lei é a caridade, o amor de Deus.

Por isso, no Evangelho de hoje, Jesus condena quem oferecia e consagrava seus bens a Deus, mas deixava os próprios pais sem sustento, passando necessidades e privações.

Acima de tudo, Jesus institui o mandamento do amor: a Deus sobre todas as coisas, isto é, em primeiro lugar e acima de tudo; e ao próximo como a si mesmo e por amor de Deus.

Quem faz isso, presta a Deus o verdadeiro culto de adoração, "em espírito e verdade", que brota do coração e não é mero ritualismo.

As tradições, a liturgia, a oração pessoal e comunitária, a adoração, o louvor ganham vida nova quando nelas se coloca o coração, o verdadeiro amor a Deus, que deve ser o fundamento de toda e qualquer prática da fé.

Certamente Deus não quer do ser humano um culto mecânico, mas espera que o homem coloque o coração nos ritos que Ele próprio instituiu.

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