segunda-feira, 9 de abril de 2012

Segunda-feira na Oitava da Páscoa - Mt 28, 8-15

Alegrai-vos!
As mulheres sentem medo. É a reação natural do ser humano quando Deus se manifesta. Elas, porém, com o medo, também sentem grande alegria, porque verdadeiramente amam o seu Senhor e anseiam por Sua Presença.
E eis que vem Jesus ao seu encontro, para libertá-las do medo, deixando-Se ver por elas.
Quando, pois, Deus se nos revela, manifestando a Sua Vontade, é natural que sintamos medo. Mas é importante, fundamental mesmo, que esse medo não nos paralise e que, apesar do receio natural do que escapa ao nosso entendimento e controle (o querer de Deus, sempre misterioso para nós), cuidemos de fazer logo e da melhor forma possível aquilo que Deus nos pede, com o máximo de empenho, cuidado e amor.
E o Senhor virá para dar-nos a Sua alegria e fazer-nos andar sem medo por Seus caminhos.
A alternativa que temos a isso é agir como os sumos sacerdotes e anciãos de Israel daquele tempo. Conhecendo a verdade por meio do relato dos guardas, preferiram continuar a viver na mentira, enganando-se a si mesmos e a todo o povo.
Podemos enganar-nos, dizer a nós mesmos que Jesus não ressuscitou, que continua morto e que a Igreja, testemunha fiel de Sua ressurreição, tem pregado e vivido uma mentira há dois mil anos, chegando mesmo a deixar-se perseguir e matar por causa dela. Mas pode alguém, de fato, enganar-se a si mesmo e convencer-se de sua mentira, vivendo em paz? Pode a paz conviver com o erro e com a mentira? Se Jesus ressuscitou e está vivo, só há verdadeira paz e alegria nEle, porque Ele é a Verdade.
Para aqueles que, enfrentando o medo, querem viver na verdade, na alegria e na paz, vale a palavra do Senhor Ressuscitado: "Alegrai-vos! Não tenhais medo!"

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quinta-feira Santa - Jo 13, 1-15


"Amou-os até o fim"
Contemplemos hoje, mais do que tudo, o Amor infinito e misericordioso de Deus por nós.
O que somos nós, seres humanos, diante de Deus? Se, como diz o salmo, as montanhas pesam menos que o pó diante dEle, o que somos nós?
Somos, apesar de nossa insignificância, a obra de Suas mãos. Deus ama o homem que criou, com um amor mais que admirável e incompreensível. Porque beira o absurdo que o Tudo, o Absoluto, "Aquele que É" possa amar o nada - e o ame de forma tão extremada.
Por amor, o Logos, o Filho de Deus, que existe desde toda a eternidade e é Deus com o Pai e o Espírito Santo, fez-se carne, pessoa humana. Rebaixou-se ao ponto de assumir a nossa condição - nada, grãos de poeira cósmica movendo-se no tempo. Não contente com isso, padeceu, morreu e ressuscitou por nós, elevando-nos em Sua carne.
Contemplando tudo isto, demos glória ao Senhor e O amemos de todo o coração e acima de tudo. E decidamo-nos a servi-lO, de uma vez por todas.
Depois, permitamos que Ele, Jesus, o Mestre e Senhor, nos lave hoje os pés, confessando a Ele os nossos pecados pelo sacramento da Reconciliação. Lembremo-nos do que Ele disse a Pedro: "se Eu não te lavar, não terás parte comigo".

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Semana Santa, quarta-feira - Mt 26, 14-25

"Um de vós vai me trair"
- E quem é, Senhor?
- Aquele que comigo põe a mão no prato.
- Mestre, serei eu?
- Tu o dizes.

Não só Judas, mas também eu. Judas foi só o primeiro da longa lista de "amigos" e "discípulos" de Jesus, de todos os lugares, tempos e estados de vida - leigos, religiosos, sacerdotes e bispos - que traíram ao Senhor e O traem até os dias de hoje. Nessa lista estamos todos nós.
Porque todos "colocamos a mão no prato" com o Senhor. Todos comemos de Sua mesa, quando participamos da Missa, do Sacrifício Eucarístico. E todos pecamos, alguns mais e outros menos. Com mais ou menos luta, com mais ou menos consentimento, mas todos pecamos. Todos "vendemos", "entregamos" o Senhor, sejam quais forem as "trinta moedas de prata" que nos compram. E todos nós, quando pecamos, crucificamos novamente a Cristo.
Mas se, ao pecar, somos todos como Judas, não permaneçamos, como ele, em nosso pecado. Façamos como Pedro, que também pecou gravemente, traindo ao Senhor pela negação, mas soube arrepender-se, buscar o perdão de Deus e, por fim, voltar ao Amor e à Paz de Jesus.
Este é um tempo muito especial de arrependimento e de conversão. Pois o Senhor ressuscitado, o Cordeiro imolado, espera-nos na praia para perguntar-nos: "tu me amas?"

terça-feira, 3 de abril de 2012

Semana Santa, terça-feira - Jo 13, 21-33.36-38


"Era Noite..."
Quando Jesus anuncia a traição de Judas, um de Seus amigos e discípulos mais próximos, é noite. Quando Judas sai para consumar seu ato de traição, entregando o Senhor aos que O querem matar, é noite. Quando Pedro, impulsivamente, diz que dará a vida pelo Mestre, sem sinceridade e coragem em seu coração mesquinho, é noite.
A noite, embora física e real, também simboliza a hora do poder das trevas; a hora em que o demônio, inimigo de Deus, estende suas garras. E aqueles que agem conforme Satanás, voltando as costas para Cristo, deixam a verdadeira Luz e, nesta hora, mergulham nas trevas, trocando a Vida pela morte.
Assim também conosco, quando pecamos. Rejeitamos a Deus e arrastamo-nos para as trevas, acorrentando-nos voluntariamente aos grilhões do inimigo, que tudo fará para perder-nos definitivamente e nos tornemos seus escravos por toda a eternidade. E cai a noite sobre as nossas almas.
Porém, basta que o queiramos e a Luz de Cristo voltará a brilhar em nós e para nós. É preciso, apenas, que retornemos a Ele com o coração contrito e humilhado e Ele não nos desprezará (cf. Sl 50).
Pois o Senhor atravessou por nós as trevas daquela noite, vencendo-as. NEle também nós podemos ser vencedores das trevas. Basta olhar para Jesus, que padeceu por nós, e entregar-nos à Sua Misericórdia infinita e invencível.
Judas recusou-se a voltar atrás. Não quis arrepender-se, entregou-se ao desespero e morreu imerso em trevas. Pedro, ao contrário, deixou seu coração despedaçar-se no olhar amoroso do Senhor, arrependeu-se vivamente de seu pecado e, perdoado, tornou-se a Rocha sobre a qual o Senhor edificou a Sua Igreja.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Semana Santa, segunda-feira - Jo 12,1-11


"... a Mim, nem sempre Me tereis"
Em primeiro plano, porém discretamente, está a ação de Maria, irmã de Lázaro de Betânia, que não poupa recursos e unge os pés de Jesus com bálsamo perfumado e caríssimo. Ela o faz sem dizer uma palavra, mas, por causa de seu gesto, a casa fica toda perfumada.
Do mesmo modo, quando realizamos alguma coisa por amor a Deus, pura e simplesmente, ainda que não pareça ter valor aos olhos utilitaristas deste mundo cada vez mais paganizado, o "perfume" do amor enche toda a nossa casa, isto é: nossa vida, em todos os seus aspectos, fica cheia do amor de Deus.
Quando diz que "pobres, sempre os tereis convosco", Jesus mostra claramente que não é possível reduzir a verdadeira religião à realização de boas ações, ainda que sistemáticas, em favor do próximo. O verdadeiro culto a Deus se dá "em espírito e verdade", tornando o amor ao próximo um culto de adoração a Deus unicamente se for a concretização, a manifestação e o transbordamento do amor a Deus.
Se não for assim, o culto ao Deus verdadeiro (que se revelou em Jesus Cristo) perverte-se, tornando-se idolatria do pobre, ideologia ou anestesia da consciência.
É preciso fazer a leitura também para nós, hoje, das palavras do Senhor: "... a Mim, nem sempre Me tereis".
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