quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"Não tenho o direito de fazer o que quero com o que me pertence?"

XX Semana do Tempo Comum, quarta-feira
Memória de São Pio X, Papa
Mt 20, 1-16


O que nos motiva a trabalhar na vinha do Senhor? É o amor de Seu Reino, o desejo ardente de que este Reino se estabeleça definitivamente nos corações dos homens e todos cheguem à sua plenitude nos Céus?
O que nos motiva a buscar a santidade, para a qual o Senhor nos chama? O desejo de amá-lO sobre todas as coisas, de sempre e somente cumprir a Sua Vontade e assim agradá-lO?
Ou imaginamos que temos uma espécie de contrato com Deus e que, por isso, podemos "merecer" dEle um pagamento que nos é devido?
De fato, Deus não nos deve nada. Criou-nos "por um desígnio de pura bondade" (cf. CAT 1) e se nos chama à Sua Igreja, ao trabalho em Sua vinha, não o faz senão para o nosso próprio benefício, pois assim poderemos "participar de Sua Vida bem-aventurada" (cf. CAT 1).
Busquemos, pois, trabalhar com muito amor e empenho na vinha do Senhor. Receberemos o que nos foi prometido, se soubermos expulsar a inveja e a soberba de nossos corações e alegrar-nos com aqueles com quem nos encontraremos no Reino dos Céus. Quer sejamos os últimos, quer sejamos os primeiros, importa é que lá possamos chegar.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Jesus viu uma grande multidão e encheu-se de compaixão

XVIII Semana do Tempo Comum, segunda-feira
Mt 14, 13-21


O Senhor vê o Seu Povo, uma grande multidão, "como ovelhas sem pastor", e se enche de compaixão. Cura os que estão doentes, os que têm a alma em perigo de morte, e dá a todos o maior dos dons, a Si mesmo, na Eucaristia, o Sacramento de Seu Corpo e Sangue, em que Ele, Jesus, o Verbo feito carne, está real e substancialmente presente, em Corpo e Sangue, Alma e Divindade.
Quando Ele Se dá ao Seu Povo na Eucaristia, os que dEle comem ficam satisfeitos, como ficou aquela multidão que Jesus alimentara com o pão feito de trigo. Mas aquela multidão, depois, teve fome novamente. O Povo de Deus, saciado pelo próprio Cristo, não tem mais a alma faminta e doente.
Quantos, porém, não O querem...! Rejeitam o Pão Vivo, descido do Céu para a vida do mundo, e preferem o pão que o mundo oferece na forma de tantas idolatrias, para permanecer insatisfeitos, com fome da verdadeira Vida...
Esses são como o Povo de Israel no deserto: não cessavam de murmurar, mesmo sendo alimentados por Deus com o maná. Queriam carne... Mas não queriam tornar-se adultos maduros para poderem comer carne. Comportavam-se como crianças mimadas. Como o Senhor Deus lhes poderia dar alimento sólido?
Agora o Senhor dá a "Carne", o "Pão dos fortes" para alimento de Seu Povo. Quem se arrisca a crescer no espírito e a alargar o coração, quem é capaz de reconhecê-lO e aproximar-se de Sua Mesa com amor, gratidão, humildade e alegria?

quarta-feira, 31 de julho de 2013

"Ele vai, vende todos os seus bens..."

XVII Semana do Tempo Comum, quarta-feira
Mt 13, 44-46
Memória de Santo Inácio de Loyola, presbítero, fundador da Companhia de Jesus


Quando, de verdade, começa a conversão de uma pessoa para Deus? Quando se dá o "ponto de virada"? Quando é que a pessoa finalmente se dá conta do que é a eternidade, dessa dimensão tão presente e tão oculta de cada ser humano, diante do qual todo o resto é poeira e insignificância?
O Reino dos Céus, a eternidade, se deixa encontrar por aquele que o procura de todo o coração. Mas também vai ao encontro daquele que, sem o procurar e até sem o saber, deseja-o e espera-o de coração aberto. Este, quando é encontrado pelo Reino, fica "cheio de alegria".
Mas o grande sinal da virada nesse encontro entre Deus e o homem, nesse vislumbre do Reino dos Céus, não é a alegria, mas a forma como se reage a esse encontro.
Pois, tanto para quem procura o Reino dos Céus como para quem se deixa encontrar por ele, o Evangelho refere a mesma atitude: "ele vai, vende todos os seus bens e compra" a pérola ou o campo.
Vendo que o Reino supera em valor tudo o que possui, o homem não hesita em "vender todos os seus bens", isto é, deixar tudo para trás, mudar toda a sua vida, com o objetivo único de possuir o Reino dos Céus, de fazer parte dele.
Esse é o "ponto de virada", o grande momento da conversão, no qual o homem supera a si mesmo e se volta para o Criador, na trajetória que perpassa toda a sua vida até levá-lo à eternidade.
***
Das "Homilias sobre o Evangelho de Mateus", de São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja 

As duas parábolas do tesouro e da pérola ensinam a mesma coisa: que temos de preferir o Evangelho a todos os tesouros do mundo.(…) Mas há uma situação ainda mais meritória: preferi-lo com gosto, com alegria e sem hesitação. Jamais podemos esquecer-nos de que ganhamos mais do que perdemos ao renunciar a tudo para seguir a Deus. O anúncio do Evangelho está oculto neste mundo como um tesouro escondido, um tesouro inestimável.
Para procurar esse tesouro(…), são necessárias duas condições: a renúncia aos bens do mundo e uma sólida coragem. Efectivamente, trata-se «de um negociante que busca boas pérolas. Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola». Essa pérola única é a verdade, e a verdade é una, não se divide. Possuis uma pérola? Tu conheces a tua riqueza; mas, se a tens fechada na concha da mão, o mundo ignora a tua fortuna. Acontece o mesmo com o Evangelho. Se o abraças com fé, e o manténs fechado no coração, que tesouro! Mas só tu o conhecerás: os não crentes, que ignoram a sua natureza e o seu valor, não fazem ideia da incomparável riqueza que tu possuis.
***
Santo Inácio de Loyola, presbítero, fundador da Companhia de Jesus


Nobre espanhol, converteu-se aos 30 anos de idade, depois de uma breve mas brilhante carreira nas armas, e fundou a Companhia de Jesus. Alma profundamente militar, quis dotar a Igreja de uma milícia nova, aguerrida e disciplinada, para a defesa da glória de Deus e a conquista das almas. 
No século em que o protestantismo arrebatou à religião católica um terço da Europa, Inácio foi sem dúvida o lutador suscitado pela Providência para atender de modo pleno às necessidades da Igreja.

sábado, 22 de junho de 2013

"Buscai em primeiro lugar..."

XI Semana do Tempo Comum, sábado
Mt 6, 24-34

"Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça..."
O que é a justiça senão fazer sempre a Vontade de Deus, em todo tempo e lugar?
O Reino de Deus, que só se realizará plenamente no fim dos tempos, quando "Deus for tudo em todos", este Reino de Deus já começa aqui, em germe, quando o coração do homem, sedento de Deus, busca em primeiro lugar e antes de tudo fazer a Sua Vontade. Isto é o que significa buscar, em primeiro lugar, o Reino de Deus e sua justiça.
E o Senhor não abandona jamais os que Lhe pertencem, os que assim buscam tornar-se capazes de amá-lO. Pelo contrário, dá-lhes, por acréscimo, tudo o que lhes é necessário.
"Por acréscimo" significa que, antes de tudo, lhes dá a Si mesmo, Sua Paz, Seu perdão, Seu Amor e a cruz de cada dia, identificando consigo aos Seus amados e aos Seus prediletos.
"Necessário" significa que nada faltará aos amigos de Deus, que buscam a Sua Vontade antes de qualquer coisa, daquilo que é essencial. Não significará abundância de bens, de comodidades, de confortos e de prazeres - estas coisas não são importantes e podem mesmo tornar-se um risco para a salvação dos que as possuem, se não voltarem seus olhos incessantemente para Deus, apegando seu coração somente a Ele e só a Ele buscando servir, inclusive com os bens deste mundo.

domingo, 9 de junho de 2013

Duas mulheres e a ação de Deus

X Domingo do Tempo Comum
I Rs 17, 17-24 e Lc 7, 11-17

No Antigo Testamento, Deus devolve a vida do filho único da viúva, mas é preciso, antes, que Elias, o profeta, clame e suplique e leve o menino morto à presença do Senhor, para que este se compadeça da dor da mãe.
No Novo Testamento, porém, ninguém clama, ninguém suplica. É o próprio Deus que vem ao encontro da dor de outra viúva, outra mãe de um filho único, agora morto. Porque é o Senhor quem vê a humanidade morta, incapaz de produzir fruto de eternidade, e sente compaixão. Não precisa de nenhum clamor ou súplica, basta-Lhe ver as lágrimas, a dor, a morte. Porque, em Jesus Cristo, "Deus veio visitar o Seu Povo".
***
Essa mulher, porém, poderia se chamar Maria... Ainda que a Senhora tenha muitos filhos, que lhe foram dados por seu Filho único na cruz, cada um, para ela, é como se fosse o único.
E quando algum desses filhos morre espiritualmente, afasta-se da Vida que lhe é oferecida pelo Senhor, ela o pranteia como se não tivesse outro.
Mas não se detém no pranto: faz passar o cortejo fúnebre pelo caminho onde deve passar o seu Filho Jesus, que tem o poder de ressuscitar os mortos. Ele, por sua vez, não precisa que ela lhe suplique; basta-lhe ver suas lágrimas para desejar consolá-la, restituindo à vida o filho que se perdera.
E Jesus devolve o filho, vivo, à Senhora. Não será ele, que estava morto, a cuidar dela. Pelo contrário, ela o tomará sob sua proteção, a fim de que nunca mais se perca e morra, mas receba a Vida imperecível e a felicidade sem fim no Reino de Deus.
***
E essa mulher poderia se chamar Igreja...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...