quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Memória de São Carlos Borromeu – Lc 15,1-10

"Acolhe os pecadores e faz refeição com eles"

Naquele tempo, pessoas tidas como pecadores públicos (prostitutas, que vendiam o corpo e a dignidade, ou publicanos, que sobretaxavam os impostos que deviam cobrar em nome do Império Romano) não deviam ser acolhidas. Era escandaloso conversar com pecadores públicos.

Jesus, porém, chega mesmo a partilhar a mesa com eles, porque deseja que se arrependam de seus pecados e se convertam. O Senhor se faz amigo de todos, para a todos salvar.

E isso continua acontecendo hoje, em nossos dias. Pois Jesus está à nossa espera, em todas as igrejas, em cada sacrário da terra. Quando vamos à Missa, partilhamos de Sua mesa, posta à nossa disposição, por amor de cada um de nós.

E o que somos nós senão pecadores? Mas Jesus, ainda mais do que quando andava na terra, faz-Se a própria refeição, dando-Se como alimento na Eucaristia a cada um que se aproxime de Seu altar.

O que estamos esperando? Quando vamos nos converter? O Senhor nos aguarda! Partilhemos com Ele a refeição, de coração sincero, contrito e humilde, sabendo que é Ele quem nos torna dignos. E haverá alegria no Céu por nossa causa!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

COMEMORAÇÃO DOS FINADOS

"Deus enxugará toda lágrima de seus olhos"

A liturgia de hoje convida e fala de esperança. Lemos o livro da Sabedoria (Sb 3, 1-9) que, já no Antigo Testamento, fala da realidade da morte como "esperança cheia de imortalidade" e diz que, nela, os justos "serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pões à prova e os achou dignos de si". A morte, para os que confiam em Deus e perseveram em seu amor, é como uma porta que se abre para a compreensão da verdade e para a verdadeira vida junto de Deus. Porque até mesmo a morte é, para os que amam a Deus, manifestação de sua graça e de sua misericórdia.

Depois, o livro do Apocalipse (Ap 21, 1-7) fala da grande esperança do fim dos tempos, quando cessarão as realidades humanas tais como as conhecemos e haverá unicamente a "morada de Deus entre os homens". Será o estabelecimento definitivo do Reino de Deus e a "morte não existirá mais e não haverá mais luto, nem choro, nem dor". A esperança da participação nessa felicidade sem fim está no convite do Senhor, que é, ao mesmo tempo, uma promessa: "a quem tiver sede eu darei, de graça, da fonte de água viva. O vencedor receberá essa herança, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho".

Por fim, para nós, os que vivemos ainda nesta vida, Jesus, no Evangelho (Mt 5, 1-12), dá os contornos práticos dessa esperança para além da morte. As bem-aventuranças são o ideal a ser perseguido tenazmente por quem quiser herdar o Reino dos Céus. Aqueles que aceitarem esse convite têm como garantia a promessa do Senhor: "alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus".

domingo, 24 de outubro de 2010

XXX Domingo do Tempo Comum – Lc 18, 9-14

"Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador"

Dizia Santa Teresa de Ávila que a humildade é a verdade. Quanta verdade, pois, há nestas palavras do publicano, que, reconhecendo sua pobre condição, não ousava erguer os olhos para o Céu. Não deveríamos ser como ele, quando nos colocamos diante de Deus, para fazer oração?

Mas há outro personagem no Evangelho deste domingo: um fariseu, que também fora ao Templo para rezar. A oração desse fariseu, porém, é bem diferente. Ele enumera a Deus todas as suas "qualidades", apresenta-se como bom e justo e "agradece" por não ser ruim e pecador como os outros. Se a humildade é um requisito da oração, as palavras desse fariseu não a possuem. Ele não ora a Deus, apenas fala consigo mesmo. Poderíamos dizer que se apresenta a Deus como um "sujeito de direitos" e pretende do Senhor que lhe dê tudo aquilo de que se acha merecedor, pois, sendo ele tão bom, é uma espécie de credor das bênçãos divinas.

Não se parece um tanto com as orações que frequentemente fazemos nos dias de hoje? Não é verdade que muitos de nós pensam ter, diante de Deus, todos os direitos e nenhum dever? Se não é assim, por que a fé de tantas pessoas está condicionada a verem atendidos todos os seus "pedidos" (que mais parecem exigências)? Por que, quando lhes parece que Deus não "escuta" as suas preces, abandonam a religião que supostamente professam, deixam a Igreja com grande facilidade?

A oração é um olhar lançado ao Céu, um olhar de quem se reconhece criatura e busca seu Criador, de quem tem total necessidade – nEle nos movemos, existimos e somos, já dizia São Paulo. A partir do pressuposto desse reconhecimento, podemos esperar de Deus que nos escute e que nos responda; que, a partir da nossa oração, manifeste em nossas vidas o Seu Amor e a Sua santíssima Vontade. Mas o fundamento da oração deve ser este que Jesus põe na boca do publicano: "Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador".

sábado, 23 de outubro de 2010

XXIX Semana do Tempo Comum – Lc 13, 1-9

"Se não vos converterdes..."

A advertência de Jesus é para que não tomemos, de forma equivocada, certos fatos da vida natural como sinais de predileção ou de castigo divinos, tanto para nós quanto para os demais.

Deus sabe porque permite ou promove os acontecimentos. Quanto a nós, não sabemos e não podemos pretender sondar os desígnios da Providência ou interpelar Suas razões.

E há sempre o mistério da liberdade humana – dom de Deus – que muitas vezes é usada para sobreporem-se os homens uns aos outros, promovendo eles mesmos a injustiça e o sofrimento a muitos.

Para além dessas coisas, que não podemos sequer começar a compreender, o que o Senhor pede e espera de nós é que O sigamos e demos frutos no Amor, por uma vida santa, dedicada a Deus e ao próximo.

Na história que Jesus conta no Evangelho, somos, cada um de nós, a figueira plantada na vinha de Deus Pai, que é o seu proprietário. A figueira teima em não dar frutos e o dono quer cortá-la, para plantar, em seu lugar, algo que produza frutos e não esgote a terra (isto é, que não desperdice a graça e os dons de Deus). Mas o vinhateiro, que é Jesus, pede ao dono (o Pai) um prazo para tratar da figueira. Se ainda assim não frutificar, então, sim, será cortada.

Aprendamos, pois, que a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor foram, juntamente com todos os dons e graças que Deus generosamente derrama todos os dias em nossas vidas, o tratamento dado à "figueira". O prazo que temos para dar frutos é esta vida, que vivemos na terra. Depois, se tivermos continuado a ser estéreis, sem dar frutos de Amor, Deus nos cortará de Seu Reino.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

XXIX Semana do Tempo Comum - Lc 12,49-53

O fogo que Jesus veio atear à terra é o fogo do Espírito Santo. Mas esse fogo só pode vir quando se consumar o Seu batismo. Que batismo é esse a que nosso Senhor se refere? É a Sua morte redentora na cruz. Esse é o batismo de sangue que Ele veio receber, para matar a nossa morte com a Sua e, pelo Seu sacrifício, trazer-nos a redenção.
Depois de "passar deste mundo para o Pai" é que Jesus enviaria o Espírito Santo, que deve permanecer conosco como a "alma da Igreja" e que faz arder o fogo do Amor de Deus em cada um de nós e em todo o Corpo Místico de Cristo.
O fogo do Espírito Santo queima e purifica a raiz de todo mal em nós. Ele é o artífice de nossa santificação. Na presença do Espírito, não há como permanecer indiferente a Jesus: ou se ama ao Senhor e se Lhe entrega a própria vida ou se rejeita definitivamente a Salvação que Ele veio oferecer.
E esta é a divisão da qual fala o Senhor. Pois os homens, diante de Jesus, estaremos divididos - alguns escolherão amá-lO e outros escolherão rejeitá-lO. Não é que Ele queira dividir-nos; mas não obrigará ninguém a segui-lO, pois o amor só pode existir na liberdade.
Enquanto estamos nesta vida, sempre poderemos rever nossas escolhas. Deixemos, pois, que arda em nós o fogo do Espírito Santo, para que Ele queime tudo aquilo que em nosso interior resiste a Jesus Cristo e faça arder em nossos corações e almas a chama de Seu Amor infinito e misericordioso.
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