quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A Justiça e o Amor de Deus

XXVIII Semana do Tempo Comum, quarta-feira
Memória de Santa Teresa de Jesus, carmelita, virgem e doutora da Igreja
Lc 11, 42-46

Deixar de lado a justiça e o amor de Deus...
Com essas palavras, Nosso Senhor estabelece o que é mais importante na relação que Deus quer estabelecer com o home, uma relação de amor, cuja iniciativa sempre é de Deus, mas que exige do homem uma contrapartida (ainda que ínfima, se comparada com o que Deus dá ao homem nesta aliança de amor).
Mas o que se deve entender por "justiça" e "amor de Deus"? Não se trata de mero ritualismo, como o Senhor deixa claro neste texto. Mas também não é algo subjetivo ou relativo, como Jesus faz questão de sublinhar ao valorizar as práticas e, sim, condenar o seu esvaziamento: "vós deveríeis praticar isso sem deixar de lado aquilo".
Ao Deus que nos ama a ponto de entregar o Seu Filho para salvar-nos (cf. Jo 3, 16), só podemos corresponder com o maior amor que nos for possível, de total entrega e doação. Se Ele deu a vida por nós, também devemos dar a vida por Ele, todos os dias: morrendo para nós mesmos, para o nosso egoísmo e nossas misérias, abrindo-nos para as necessidades de nossos irmãos e fazendo o que está ao nosso alcance para curar as suas feridas.
Mas e quanto à justiça? O justo, para o Antigo Testamento, era aquele que obedecia a Deus, cumprindo com fidelidade a Sua Lei.
Jesus, porém, aperfeiçoa a justiça no amor, ao dizer: "quem me ama, cumpre os meus mandamentos" e "vós me amais, se fizerdes o que eu mando".
Portanto, justiça e amor estão mutuamente implicados. É preciso dar a Deus o culto que Lhe é devido (da forma como Ele quer) e cumprir os Mandamentos. Mas é preciso fazer tudo isso com amor e por amor, para que não incorramos na mesma condenação dos fariseus e mestres da lei.
Nosso Senhor não lhes condenou as práticas - "vós deveríeis praticar isso" - mas a falta de amor com a qual esvaziavam suas práticas - "sem deixar de lado aquilo".
Somos seres espirituais, mas também somos seres materiais, feitos de carne. Alguém já disse que o ser humano é essa belíssima união de corpo e alma. Por isso, não podemos negar a importância da prática da justiça (que corresponde ao corpo); mas também não podemos deixar de lado o amor de Deus (que corresponde à alma).
A supervalorização de qualquer dos dois aspectos, em detrimento do outro, provoca, lentamente, mas a passos firmes, a destruição e a perda da fé.
Por isso, é preciso buscar, sempre, o difícil equilíbrio entre oração e jejum, culto a Deus e prática do amor ao próximo (tanto pelas obras de misericórdia espirituais como pelas corporais).
Durante dois mil anos, ao longo de sua história, a Igreja sempre recomendou a todos os fieis a oração diárias e perseverante, ao lado de práticas de penitência e mortificação. Do mesmo modo, exortou a todos a frequência aos sacramentos (em especial, a Santa Missa), ao lado do atendimento dos mais necessitados.
Nada disso mudou, nem mesmo nos últimos cinquenta anos, desde que Nosso Senhor Jesus Cristo pronunciou as duras palavras que o Evangelho hoje nos relata. Porque o homem, o ser humano, continua a ser exatamente o mesmo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...