segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Jesus parou e mandou que levassem o cego até Ele"

XXXIII Semana do Tempo Comum, segunda-feira
Memória de São Roque González, Santo Afonso Rodriguez e São João Del Castillo, sacerdotes e mártires
Lc 18, 35-43


Era só um cego "sentado à beira do caminho, pedindo esmolas". Só um cego mendigo, um ninguém. Alguém que só podia ouvir o ruído da multidão, mas era incapaz de acompanhá-la para saber o que acontecia. Alguém à margem da vida, que não tinha nenhuma importância.
Mas, por causa desse ninguém, Jesus parou. Podia ter seguido o Seu caminho, mas interrompeu-o porque ouviu os apelos, mais ainda, escutou o clamor daquele cego e teve compaixão.
Assim como esse cego, estávamos todos nós: à beira do caminho da verdadeira Vida e incapazes de tomar o rumo que conduz a ela, porque não podíamos ver. Como diz um dos prefácios eucarísticos, "perdidos e incapazes de Vos encontrar".
Mas, ao passar por onde estávamos, o Senhor, que sempre esteve perto de nós, teve compaixão. Escutou nosso clamor e restitui-nos a visão. Agora podemos ver o Caminho, que é Ele mesmo, segui-lO e louvá-lO como fez o cego curado, até chegar ao Seu Reino, nos Céus.
Se ainda alguns sentem-se à margem da estrada, sem poder ver, basta que clamem ao Senhor que passa. Se o fizerem com todo o coração, Ele certamente vai parar para perguntar-lhes: "o que queres que Eu faça por ti?"

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

"E os outros, onde estão?"

XXXII Semana do Tempo Comum, quarta-feira
Lc 17, 11-19


Parece estranho que somente um, entre os dez leprosos, se dê conta de ter ficado curado. Mais ainda quando se pode ver claramente que todos acreditaram na palavra de Jesus - que os mandou apresentarem-se ao sacerdote para a comprovação da cura - antes que fosse, de fato, curados.
Sim, todos pediram a compaixão de Deus. E todos tiveram fé em Sua palavra. Mas o reconhecimento e a gratidão, que são próprios da humildade, somente um deles demonstrou. E precisamente este recebeu também a cura da alma, ficando livre de seus pecados, porque amou o Senhor e "o amor cobre uma multidão de pecados".
Quem de nós é como este leproso, considerado ainda menos do que os outros, porque além de leproso era samaritano e, portanto, duas vezes maldito?
Nosso Senhor, por outro lado, não tem quaisquer obrigações para conosco (como não tinha para com os leprosos que a Ele recorreram em seu infortúnio). Não nos deve absolutamente nada. Pelo contrário, nós é que Lhe somos devedores: criou-nos, redimiu-nos e concede-nos muitíssimas graças, generosa e continuamente, sustentando nossa frágil existência e dando-nos a esperança do Céu.
Se não somos - a maioria de nós - leprosos no corpo, certamente todos o somos na alma. Somos portadores de uma lepra muito mais grave, que é o pecado.
Por causa disso, o que sofremos é justo. Saibamos, pois, ser reconhecidos e gratos ao Senhor, que nos cura e salva, por pura bondade, sem mérito algum de nossa parte.


Comentário feito por São Bruno de Segni (1045-1123), bispo

Purificados da lepra do pecado

«Enquanto iam a caminho ficaram purificados.» É preciso que os pecadores ouçam estas palavras e façam um esforço para as compreender. É fácil ao Senhor perdoar os pecados. Com efeito, o pecador é muitas vezes perdoado antes de ir ter com o sacerdote. Na realidade, fica curado no próprio momento em que se arrepende; qualquer que seja o momento em que se converte, passa da morte para a vida. [...] Que se lembre, porém, de que conversão se trata. E que escute o que diz o Senhor: «Mas agora, ainda, convertei-vos a Mim de todo o vosso coração, com jejuns, com lágrimas e com gemidos. Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes.» (Jl 2,12ss) Qualquer conversão deve, portanto, efetuar-se no coração.
«Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em voz alta.» Na realidade, este homem representa todos aqueles que foram purificados pelas águas do batismo ou curados pelo sacramento da penitência. Eles já não seguem o demônio mas imitam a Cristo, caminham atrás d'Ele glorificando-O e dando-Lhe graças e não deixam o Seu serviço. [...] «Jesus diz: 'Levanta-te e vai; a tua fé salvou-te'.» Grande é pois o poder da fé, pois «sem fé é impossível agradar a Deus» (Heb 11,6). «Abraão teve fé em Deus e isso foi-lhe tido em conta de justiça» (Rm 4,3). É, portanto, a fé que salva, a fé que justifica, a fé que cura o homem na sua alma e no seu corpo.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

"Somos servos inúteis..."

XXXII Semana do Tempo Comum, terça-feira
Lc 17, 7-10


Não nos julgamos, nós, os senhores de nossas vidas? Não agimos como se Deus nos devesse favores? Não ousamos levantar os olhos para o Céu pedindo contas a Deus daquilo que acontece a nós e aos outros, como se não tivéssemos qualquer responsabilidade, como se não tivéssemos livre-arbítrio, como se não escolhêssemos agir contra a Vontade de Deus com más consequências para nós e para os demais?
Quem somos nós para pedirmos satisfações a Deus? Não passamos de meras criaturas, a quem Deus livremente, por pura bondade, criou para sermos felizes partilhando de Sua Vida bem-aventurada. Nossa felicidade está, pois, em servir a Deus.
Enquanto olharmos para nós mesmos como senhores, não podemos ser felizes. Porque, diante de Deus, ninguém é senhor. Jesus Cristo é o único Senhor. Ele, no entanto, rebaixou-Se a servir-nos (cf. Fl 2, 2-11).
Coloquemo-nos, pois, diante de Deus como servos que somos e busquemos fazer, em tudo e unicamente, a Sua Vontade. Não teremos feito mais do que nossa obrigação, mas Ele, porque é bom, nos recompensará com a felicidade verdadeira e sem fim.



Do Evangelho Quotidiano

De Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (África), doutor da Igreja

O serviço humilde

Antes da vinda do Senhor Jesus, os homens gloriavam-se de si próprios. Ele veio como homem para que diminuísse a glória do homem e crescesse a glória de Deus. Porque Ele veio sem pecado e nos encontrou a todos pecadores. Se Ele veio para perdoar os pecados, é porque Deus é misericordioso: compete ao homem reconhecê-lo. Porque a humildade do homem está nesse reconhecimento, e a grandeza de Deus na sua misericórdia.
Se Ele veio perdoar ao homem os seus pecados, que o homem tome consciência da sua pequenez e de que Deus exerce a Sua misericórdia. «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30). Ou seja: é necessário que Ele dê e que eu receba; que Ele tenha a glória e que eu a reconheça. Que o homem entenda qual é o seu lugar, que reconheça Deus e escute o que o apóstolo Paulo diz ao homem soberbo e orgulhoso que pretendia superiorizar-se: «Que tens tu que não hajas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias como se não o tivesses recebido?» (1 Cor 4,7). Que o homem que queria chamar seu ao que não era dele compreenda pois que o recebeu e se faça pequenino, porque é bom para ele que Deus seja glorificado nele. Que se diminua pois em si mesmo, para que Deus cresça nele.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

"Se teu irmão pecar, repreende-o..."

XXXII Semana do Tempo Comum, segunda-feira
Memória de São Josafá, bispo e mártir
Lc 17, 1-6

É muito comum lermos ou escutarmos reflexões a respeito deste trecho do Evangelho segundo Lucas que tratam apenas do aspecto do perdão - ilimitado e condicionado apenas ao arrependimento. Muito importante, sem dúvida.
Mas é preciso lembrar que o Senhor, antes de falar do perdão, ensina sobre a gravidade do escândalo e, logo em seguida, sublinha a necessidade da correção fraterna, através da repreensão.
Sabermos dimensionar a gravidade do escândalo é muito importante, hoje em dia, pois parece que esquecemos de proteger os mais fracos na fé desse mal tão grande. As ovelhinhas do rebanho do Senhor são expostas, para que se proteja e até mesmo se oculte os pecados dos pastores.
Os que estão colocados à frente da comunidade causam um grande mal quando não são repreendidos, quando se compactua com os seus erros e pecados.
A repreensão, porém, é a expressão máxima da caridade, pois é através dela que as pessoas podem dar-se conta do quanto ofenderam ao Senhor e prejudicaram a Igreja. E, nesse movimento de compreensão do mal causado, podem cair em si, arrepender-se e voltar atrás em seus passos, como o filho pródigo quando resolve dizer ao pai: "pequei contra o Céu e contra ti". Porque é apenas o arrependimento que dá espaço ao perdão e ao retorno à Casa do Pai.
Deus está sempre disposto a perdoar e ensina-nos a fazer o mesmo - abrir-nos ilimitadamente ao perdão. Mas perdoar não significa tolerar o mal ou deixar de corrigir. Pelo contrário: como expressão de amor, o perdão exige o arrependimento, para que o ofensor converta-se de seu pecado e pare de fazer mal a si mesmo e aos outros.
Nosso Senhor não minimizou o impacto do escândalo. Afirmou, pelo contrário, que seria melhor afogar aquele que produz escândalo, antes que fosse capaz de fazê-lo. É uma afirmação dura, mas necessária, por amor dos pequeninos.
Portanto, se o Senhor não quis ser tolerante e nem proteger os que causam escândalos, não sejamos nós a fazê-lo, pelo bem da Igreja. Movidos por uma verdadeira e ardente caridade, exerçamos também a repreensão, a correção fraterna que o Senhor nos exige.

domingo, 11 de novembro de 2012

Ninguém ofereceu mais do que ela...

XXXII Domingo do Tempo Comum
Mc 12, 38-44


A viúva - pobre e desvalida - é a imagem da humanidade. O que é o homem senão uma criatura fraca, frágil, insegura, que vive e se debate em meio a realidades que não pode compreender e dar quais, conforme lhe concede a graça, não tem senão um vislumbre?
Como eram as pobres viúvas no antigo Israel, assim é a humanidade - a imagem do desamparo. Aquelas dependiam da caridade alheia e, se ninguém as socorresse, só lhes restava esperar a morte. A humanidade, escravizada pelo pecado, submetida ao jugo do demônio, só podia esperar a condenação eterna.
Mas Deus compadeceu-se de nós, Suas pobres criaturas, e enviou-nos o Seu Filho, para libertar-nos do inimigo que nos subjugava e salvar-nos da morte eterna, devolvendo-nos a esperança.
O coração daquela pobre viúva agradou a Deus porque, ao dar tudo o que tinha - tão pouco, fez dEle a sua única esperança e entregou-se inteiramente em Suas mãos. Ela acreditou que tudo o que lhe vinha da parte de Deus era bom e justo.
A humanidade, todos nós, somos como esta pobre viúva. Cumpre reconhecermos a nossa condição de indigência. O que podemos, de fato, dar a Deus? Ainda que lhe entreguemos tudo, será como estas duas moedas sem valor depositadas pela viúva no tesouro do templo. Não somos e nem temos nada que possa ter algum valor diante de Deus. No entanto, é exatamente isto o que Ele deseja (e não se contentará com menos): que Lhe demos tudo o que somos e temos, colocando somente nEle a nossa confiança e fazendo dEle a nossa única esperança.
Se quisermos agradar o Coração de Deus, não reservemos nada para nós.
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